Portugal

«O João da Varina». Nasceu em 17-02-1893, em Lisboa. Serralheiro e, após 1940, mecânico. Preso três vezes durante a I República. Detido em 15-08-1927, por distribuir panfletos, foi solto em 19-08-1927. Preso em 15-02-1928, por cooperar com Américo Vilar no fabrico de bombas, ter ideias avançadas e guardar na algibeira uma bomba carregada, seria deportado, em 04-05-1928, para a Guiné, de onde fugiu. Preso em 28-12-1928, por possuir 40 bombas. Deportado, em 04-04-1929, para S. Tomé, passou, em 19-05-1929, para Luanda e, em 20-10-1930, para a Madeira, participando na “Revolta das Ilhas”.
«O João da Quinta». Nasceu em 09-05-1911, em Vila Real de Santo António. Desenhador litógrafo na sua terra e militante do PCP desde 1933, esteve envolvido nos preparativos locais da greve revolucionária de 18 de janeiro de 1934. Preso e entregue pela PSP de Faro à PVDE em 03-02-1934, seria levado para a 1.ª esquadra, em Lisboa. Condenado, em 07-04-1934, a 14 anos de degredo, ficando à disposição do Governo, acusado de ter participado em reuniões e transportado bombas. Interpôs recurso, mas a sentença seria confirmada em 16-04-1934.
Nasceu em 07-10-1921, no Funchal. Ajudante-serralheiro, foi entregue à PIDE pela PSP de Lisboa em 09-04-1947, «para averiguações», e levado para o Forte de Caxias. Transferido, em 11-04-1947, para o Tarrafal, sem ter sido julgado ou condenado, provavelmente por estar associado à greve dos trabalhadores das construções e reparações navais dos estaleiros de Lisboa, dinamizada pelo PCP. Tal como os outros presos na mesma circunstância, ficou numa seção diferente daqueles que já se encontravam no Campo, vigiado por guardas da PIDE.
Nasceu em 25-12-1902, em Santa Bárbara de Padrões, Castro Verde. Mineiro, foi entregue pelo Delegado do Procurador da República na Comarca de Beja à PVDE em 09-01-1940, ficando à ordem do TME. Levado para a Cadeia do Aljube e julgado no dia seguinte, acusado de ser detentor de um punhal, seria condenado na pena de 3 anos de degredo. Transferido, em 16-01-1940, para Caxias, embarcou, em 23-02-1940, para o Tarrafal, de onde regressou em 20-02-1945, sendo restituído à liberdade.
Nasceu em 03-03-1906, em Serra d’El-Rei, Peniche. Empregado comercial, seria comunista, combateu em Espanha, esteve internado em campos de concentração em França, onde se refugiara, e foi preso em Vilar Formoso em 04-07-1940, ao reentrar em Portugal, por «ser combatente nos marxistas espanhóis». Enviado para a cadeia da localidade, entrou na sede da PVDE em 13-07-1940, seguiu para o Aljube e iniciou a transferência sucessiva de cárcere: Caxias (21-12-1940), Aljube (06-02-1941), Caxias (13-03-1941) e Peniche (04-08-1941).
Nasceu em 23-09-1917, em Penamacor. Vidraceiro, a residir em Lisboa, foi preso em 01-05-1936. Referenciado como «extremista» e levado para uma esquadra, seguiu, em 07-06-1936, para o Aljube e, em 17-10-1936, embarcou para o Tarrafal, sem ter sido julgado e onde foi castigado com internamento na “frigideira”. Regressou em 20-02-1945, recolheu a Caxias e, em 07-03-1945, seria condenado pelo TME a 10 anos de degredo, ficando à disposição do Governo. Começou, então, a circular entre o Aljube, Caxias e a enfermaria do Aljube, entrando em Peniche em 22-12-1945.
Nasceu em 25-02-1915, em Lisboa. Serralheiro, foi entregue pela PSP de Lisboa na PIDE em 09-04-1947, «para averiguações», e levado para Caxias. Transferido, em 11-04-1947, para o Tarrafal, sem ter sido julgado ou incriminado, provavelmente devido à sua participação na greve dos trabalhadores das construções e reparações navais dos estaleiros de Lisboa preparada pelo PCP. Vigiado por guardas da PIDE, permaneceu, tal coo os outros deportados na mesma circunstância, numa instalação diferente daqueles que já se encontravam no Campo.
Nasceu em 03-01-1910, em Vidago, município de Chaves. Grumete de manobras no navio de guerra “Bartolomeu Dias”, foi entregue pelas autoridades da Marinha à PVDE em 08-09-1936, por «insubordinação», acusado de estar envolvido na “Revolta dos Marinheiros” que eclodira nesse mesmo dia. Enviado para o 3.º Posto da 14.ª esquadra, «Mitra», passou, em 18-09-1936, para a Cadeia Penitenciária de Lisboa e, por sentença de 13-10-1936, seria condenado pelo TME na pena de 4 anos de prisão maior celular, seguidos de 8 de degredo ou, em alternativa, a 16 anos de degredo.
Nasceu em 02-06-1898, em Cuba, distrito de Beja. Sapateiro em Aljustrel, foi entregue pelo Comando da PSP de Beja à PVDE em 15-03-1942 e enviado para o Aljube. Militante comunista, integrava a rede de espionagem anglo-portuguesa do «SOE» (Special Operations Executive, Seção H), mais conhecida por “Rede Shell”, sendo o “Agente H.527”. Transferido, em 09-06-1942, para o Depósito de Presos de Caxias, embarcou, em 10-09-1942, para o Tarrafal, ficando alojado fora do Campo. Regressou, em 27-01-1944, levado para o Hospital Júlio de Matos e, em 02-02-1944, seguiu para Caxias.
«João da Pedrinha» ou «João da Facadinha». Nasceu em 1904, em Sintra. Canteiro, militava no PCP desde o início da década de 1930. Preso na serra de Monsanto, em 24-04-1932, seria condenado, em 20-10-1934, a 10 anos de degredo, pena confirmada em 03-11-1934 por interposição de recurso. Entrou no Aljube em 04-12-1934, acusado de «bombista», foi transferido, em 19-12-1934, para Peniche, e regressou, em 20-03-1935, à Cadeia do Aljube, para ser deportado, em 23-03-1935, para Angra do Heroísmo.