Guiné-Bissau

Nasceu em Cacheu, a 12 de dezembro de 1944. Oficial de diligência na Administração de Fulacunda, aderiu muito jovem ao PAIGC. Preso em Fulacunda, a 30 de junho de 1962, passou por Tite, pela PIDE de Bissau e pela Ilha das Galinhas. A 2 de setembro embarcou para o Tarrafal: “No ‘África Ocidental’, fomos postos no porão, davam-nos água, um balde, éramos muitos e não havia comida.” No Tarrafal: “Estivemos dois anos sem comer arroz. (…) Não podíamos escrever. (…) Depois de dois anos começámos a estudar, os que tinham mais habilitações davam aulas àqueles que tinham menos.
Nasceu em Bolama, a 14 de janeiro de 1938. De etnia “Papel”, católico, solteiro, 1.º grau de instrução, agricultor.
Nasceu a 11 de agosto de 1932 em Nova Lamego. De etnia “Mandinga Mori”, muçulmano, com a 3.ª classe, casado “segundo os usos e costumes”, pai de três filhos, alfaiate em Gabu, foi preso pelos Serviços Militares de Nova Lamego, em 24 de junho de 1962, acusado de ligação ao P.A.I. Deu entrada no Tarrafal a 4 de setembro do mesmo ano. Em 1968, o diretor refere ter “bom comportamento prisional”, ser “bom alfaiate” e ter “prestado muito serviço, remunerado, dentro da sua profissão”. Considera-o “reabilitado”. Regressou à Guiné em 1969.
Nasceu em Nhacra, a 21 de fevereiro de 1937. De etnia “Balanta”, católico, solteiro, com o 2.º grau de instrução, professor catequista da Missão Católica de S. José de Bolama, na escola de Banta-El-Sela, área do posto administrativo de Bula, circunscrição de Fulacunda. Aderiu ao PAIGCV em dezembro de 1960. Preso pelos Serviços Militares a 7 de julho de 1962, deu entrada no Tarrafal a 4 de setembro do mesmo ano. Embora tendo “bom comportamento prisional”, não é considerado “reabilitado” e o seu regresso à Guiné é visto como representando “perigo para a sociedade”. Regressou à Guiné em 1969.
Nasceu em Bissau a 5 de novembro de 1926. De etnia “Papel”, católico, pai de três filhos, com a 3.ª classe, solteiro e taberneiro. Aderiu ao PAIGC em 2 de junho de 1962 e foi preso pelos Serviços Militares a 30 de junho seguinte. Chegou ao Tarrafal a 4 de setembro, no grupo dos cem presos enviados da Guiné Tem “bom comportamento prisional” e é considerado “reabilitado”. Regressou à Guiné em 1969.
Nasceu em Geba, a 19 de julho de 1923. De etnia “Biafada”, católico, com sete filhos, com o 1.º grau de instrução, condutor-auto na firma António Silva Gouveia. Filiou-se no P.A.I. no início de junho de 62 e, a pedido da PIDE, foi preso pelos Serviços Militares em Bafatá a 27 de junho. Ao longo do tempo de prisão no Tarrafal sofreu três sanções disciplinares. Em 1968, o diretor do Campo escreve: “Não convence o seu apregoado arrependimento. Não se considera reabilitado e não está diminuído o seu grau de perigosidade”. Regressou à Guiné em 1969.
Nasceu em Bolama, a 14 de Agosto de 1934. De etnia “mancanha”, católico, solteiro, com a instrução primária, guarda-fios dos CTT em S. Domingos. Preso a 28 de Julho de 1962, por ter o nome numa lista do P.A.I. apreendida pela PIDE. Preso no Batalhão de Bula até 31 de Agosto, levado para a Ilha das Galinhas, embarcou no dia seguinte para o Tarrafal.
Nasceu em Bissau, a 4 de março de 1932. De etnia “Papel”, católico, solteiro, com o 2.º ciclo dos liceus, funcionário da Câmara Municipal. Aderiu ao PAIGC em 29 de janeiro de 1962. Em 22 de fevereiro viajou para Portugal em gozo de licença, sendo preso em casa pela PIDE a 29 de março e transferido em 4 de abril para a Guiné, onde transitou por vários estabelecimentos prisionais: 2.ª Esquadra de Bissau, Cadeia de Mansoa, Ilha das Galinhas. Deu entrada no Tarrafal a 4 de setembro de 1962.