Angola

Nasceu em Zola de Baixo, Belize (Cabinda) c. 1914. Trabalhador rural, tinha cerca de cinquenta anos quando decidiu, em 1964, fugir para o Congo-Kinshasa com a família. Cooptado pela União da Populações de Angola (UPA), participou em incursões e emboscadas à tropa portuguesa em Cabinda, deu informações e serviu de pisteiro e guia. Acusado de “crime contra a segurança do Estado”, foi julgado em Luanda no 2.º Tribunal Militar Territorial de Angola e condenado (Acórdão de 20-04-1967) a 3 anos e 8 meses prisão maior, 3 meses e 15 dias de multa e medidas de segurança com internamento de 1 a 3 anos.
Empregado de escritório, fazia parte do Movimento para a Independência Nacional de Angola (MINA), que em 1960 se integrou no MPLA. Sem nunca ter sido julgado, foi enviado para a Colónia Penal do Bié (1961), para o campo prisional do Missombo (1962) e de regresso à prisão em Luanda (1965). Libertado em 1967, foi preso novamente meses depois foi-lhe fixada residência no Campo de “Chão Bom” (Tarrafal) por 12 anos. Chegou ao Tarrafal a 08-08-1969 e foi libertado no 1.º Maio 1974.
Electricista, foi preso em Agosto de 1959 na vaga de prisões da PIDE que em Angola deu lugar a três processos judiciais vulgarmente conhecidos como "Processo dos 50". Acusado de pertencer a um Movimento de Libertação Nacional de Angola, foi sentenciado a 4 anos de prisão maior, suspensão de direitos políticos por 15 anos e medidas de segurança de internamento de 6 meses a 3 anos.
Pedreiro, acusado de integrar a rede clandestina de apoio à UNITA, foi-lhe determinada a “fixação de residência” em “Chão Bom, Cabo Verde”, por 10 anos, onde chegou a 14-03-1970 e foi libertado no 1.º Maio 1974.
Enfermeiro em Luanda, tintegrou o clube recreativo (e político) “Espalha Brasa”, sendo preso pela PIDE a 20 de Outubro de 1959 e condenadopelo Tribunal Militar Territorial a 4 anos de prisão e medidas de internamento de 6 meses a 3 anos. Chegou ao Tarrafal a 25-02-1962 e saiu em liberdade condicional a 02-02-1969, regressando a Luanda.
Nasceu em Malanje a 09-06-1932. Tipógrafo, foi preso pela PIDE a 20 de Outubro de 1959, num dos processos judiciais vulgarmente conhecidos como “Processo dos 50”, acusado de pertencer ao “ELA” (grupo ativo na clandestinidade desde o início dos anos 50, com ligações a outros nacionalistas em Angola e no exterior). Terá sido através de Agostinho Mendes de Carvalho e do clube desportivo e recreativo “Espalha Brasa” que se associou aos “mais-velhos” do ELA.
Nasceu em Vila Nova (Huambo) a 05-03-1938. Motorista da Junta Autónoma de Estradas, foi preso pela PIDE em Julho de 1969 (Processo-crime n.º 161/69), um pouco de pois dos seus camaradas porque trabalhava fora da cidade. Pertencia à rede clandestina que, a partir das cidades, vilas e aldeias, dava informações e apoio logístico à luta armada da União Nacional para a Independência To tal de Angola no leste do país (roupa, medicamentos, dinheiro, alimentação, ferramentas e munições).
Nasceu em Chipeta (Bié) a 28-09-1940. Após a escola primária na Missão Congregacional da Chissamba, foi para o Luso/Luena, para estudar e ter uma profissão. Carpinteiro, continuou os estudos e em 1964, já no ensino secundário, empregou-se nos Serviços de Fazenda e Contabilidade. Foi preso pela PIDE em Julho de 1969 (Processo-crime n.º 161/69) por pertencer à rede clandestina de apoio à luta armada da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), enviando-lhe roupa, medicamentos, dinheiro, alimentação etc.
Estudante de Medicina, cofundador e corresponsável (com o seu irmão Vicente e Juca Valentim) do “Comité Regional de Luanda”, grupo clandestino do MPLA, foi preso em 1969, ficando em prisão preventiva na cadeia da PIDE em Luanda até Abril de 1970, quando recebeu a medida administrativa de fixação de residência por 8 anos em Cabo Verde. Foi libertado no 1.º Maio 1974.
Nascido em Portugal a 04-05-1935, viveu em Luanda desde a infância, na fronteira entre “o asfalto” e “o musseque”, experiência que marcaria profundamente a sua escrita e o seu posicionamento anticolonial. Em pregado comercial e escritor, colaborou na “Socie dade Cultural de Angola” (SCA) de que a PIDE prendeu vários dirigentes em 1959. Detido e acusado de “distribuir panfletos”, foi depois solto.