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Presos Fase II (1961-1974)

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Portaria n.º 18539, de 17 de junho de 1961, assinada por Adriano Moreira, reabrindo o Campo do Tarrafal, agora com o nome de "Campo de Trabalho de Chão Bom"

O Campo de Concentração do Tarrafal recebeu, pela Portaria n.º 18.539, de 17 de junho de 1961, a designação de “Campo de Trabalho de Chão Bom” – reabertura assinada pelo ministro do Ultramar, Adriano Moreira.

Nessa segunda fase, e até à libertação do Campo no dia 1.º de maio de 1974, ali foram encarcerados 107 presos de Angola, 100 da Guiné e 20 de Cabo Verde, tendo falecido 4 desses presos.

Em 1969, perante a “tentativa de golpe-de-mão inimigo”, o campo foi muralhado – como despachou então o ministro do Ultramar, Joaquim da Silva Cunha, “a prudência aconselha que se execute a obra projetada.”

Apresentamos seguidamente a lista de todos os presos, por ordem alfabética do primeiro nome, de acordo com a respetiva naturalidade.

NOTA: A grafia dos nomes pode suscitar algumas dúvidas, correspondendo a diferentes interpretações e, designadamente, às suas diferentes escritas em documentos coloniais.

Abraão Cachumbo

Nasceu em Catembe (Bié) c. 1927, filho de Cachumbo e de Nandolo.

Adão Domingos Martins

Adão Domingos Martins
Nasceu em Catete a 15-11-1909. Enfermeiro, residente no Bairro do Cemitério Novo (Bairro Popular) terá sido levado por Mendes de Carvalho para o clube recreativo (e político) “Espalha Brasa”. Detido a 3 de Abril de 1959, num dos processos judiciais vulgarmente identificados como “Processo dos 50”.

Afonso Figueira

Acusado de pertencer à rede clandestina que, a partir das cidades, vilas e aldeias, dava informações e apoio logístico à luta armada da UNITA, nomeadamente enviando roupa, medicamentos, dinheiro, alimentação, ferramentas e até munições.

Afonso Gomes

Afonso Gomes
Nasceu em Quipanda, Sanza Pombo (Uíje) c. 1925, filho de Matango e de Zuge. Agricultor. Foi preso, em data e local não identificados, por pertencer à União das Populações de Angola (UPA), desde 1962 integrada na Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), movimento independentista que combatia no Norte de Angola.

Agostinho André Mendes de Carvalho

Agostinho André Mendes de Carvalho
Nasceu em Calomboloca a 29-08-1924. Enfermeiro em Luanda, trabalhou também noutras regiões de Angola. Cofundador do grupo recreativo e político “Espalha Brasa”, parte do qual se juntou ao grupo “ELA”, os seus contactos alargaram-se ao Congo-Léopoldville (como Barros Nekaka da UPNA, depois UPA) onde esteve em finais de 1958 e início de 1959, reforçando as desconfianças da PIDE.

Alberto Correia Neto

Alberto Correia Neto
Nasceu em Quimbele (Uíje) a 08-07-1949. Estudante em Luanda, pertencia ao “Comité Regional de Luanda” (CRL) coordenado por Juca Valentim, grupo clandestino do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) que se subdividia em várias células, reunindo sobretudo estudantes, mas não só.

Alcino de Carvalho Borges

Nasceu em Luanda a 28-10-1950. Estudante, pertencia ao “Comité Regional de Luanda” (CRL), grupo clandestino do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) subdividido em várias células, sobretudo de estudantes mas incluindo também trabalhadores.

Aldemiro Justino de Aguiar Vaz da Conceição

Aldemiro Justino de Aguiar Vaz da Conceição
Nasceu em Luanda a 12-12-1948. Tinha sido militar do exército colonial e pertencia à célula Kimangua do “Comité Regional de Luanda” (CRL), coordenado por Juca Valentim.

Amadeu Timóteo Malheiros de Amorim

Amadeu Timóteo Malheiros de Amorim
Nasceu em Luanda (Angola) a 03-08-1937. Eletricista da Câmara Municipal de Luanda, ainda muito jovem esteve ligado ao Clube Atlético de Luanda (CAL) e à Associação dos Naturais de Angola (ANANGOLA). Integrou o histórico grupo musical Ngola Ritmos. Essas ligações levaram-na à actividade política clandestina, nomeadamente elaboração e distribuição de panfletos.

Américo Adão

Nasceu em Cassoneca (Icolo-e-Bengo) a 18-07-1942, filho de Adão António e de Camãe. Alfaiate de profissão, o peso da sentença reflete a condição de combatente na guerra de libertação contra o domínio colonial português, mas não foi possível esclarecer a que organização pertencia (MPLA ou UPA/FNLA, ambas atuando no norte de Angola).

André Franco de Sousa

André Franco de Sousa
Nasceu no Luso/Luena (Moxico) a 12-08-1931. Guarda-livros, esteve ativamente envolvido na fase panfletária do movimento independentista, nomeadamente no grupo liderado por Ilídio Machado, com o qual terá tido contactos com os marinheiros norte-americanos Barnett e Holder que levavam e traziam correspondência clandestina para vários grupos em Luanda, assim como com Amílcar Cabral.

André Mateus Neto

Nasceu em Cassoneca, Icolo-e-Bengo (Luanda) a 28-07-1929. Carpinteiro de profissão e com antecedentes de ligação à luta armada, pertencia ao “Comité Regional de Luanda” (CRL), grupo clandestino do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) coordenado por Juca Valentim, com várias células, de estudantes e trabalhadores.

André Rodrigues Mingas Júnior

André Rodrigues Mingas Júnior
Nasceu em Sambuilo (Cabinda) a 15-11-1905. Funcionário público (2.º oficial de Fazenda) foi preso a 3 de Abril de 1959 num dos processos judiciais conhecidos como “Processo dos 50”. Foi acusado de pertencer ao “ELA”, onde se terá integrado em 1958.

António Capita

Nasceu em Catulo, Quitexe (Uíje) c. 1939, filho de João Bengue e de Juliana Cuta. Agricultor, foi preso em data e local não identificados, por pertencer à União das Populações de Angola (UPA), desde 1962 integrada na Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), movimento independentista que combatia no Norte de Angola.

António Dias Cardoso

António Dias Cardoso
Nasceu em Luanda a 08-04-1933. Chefe de Secretaria da “Associação dos Naturais de Angola” (ANANGOLA), escritor e colaborador da “Sociedade Cultural de Angola” (SCA), foi detido em 1959 pela PIDE, na vaga de prisões que em Angola deu lugar a três processos judiciais vulgarmente conhecidos como “Processo dos 50”.

António Francisco ou António Francisco Caliota

Nasceu em Porto Amboim (Kwanza-Sul) c. 1939, filho de Cariota (ou Caliota) e de Teresa. Tratorista de profissão, foi detido em data e local incertos e não foi possível estabelecer a sua eventual filiação política.

António Jacinto do Amaral Martins

António Jacinto do Amaral Martins
Nasceu em Luanda a 28-09-1934. Gerente comercial e escritor, envolvido em associações e publicações culturais (“Mensagem” da ANANGOLA, “Cultura” da Sociedade Cultural de Angola), foi cofundador dos clandestinos Partido Comunista Angolano e Partido da Luta Unida dos Africanos de Angola (PLUAA).

António José Contreiras da Costa

António José Contreiras da Costa
Nasceu na Funda, Icolo-e-Bengo, a 06-12-1932. Empregado comercial, residente no Bairro Marçal (Luanda), era um dos dirigentes (com Lopo do Nascimento e Manuel dos Santos Júnior), do clube recreativo (e político) “Botafogo”, camuflagem para consciencialização política.

António Lamba

António Lamba
Nasceu em Cariango, Quibala (Kwanza-Sul) c. 1924, filho de Lamba e de Umba. Cozinheiro de profissão, não foi possível esclarecer a que organização pertencia nem as circunstâncias da sua detenção, em data e local incertos. Foi incluído no Processo-crime 57/67 (com Diogo José, António Francisco e Américo Adão) e julgado no 1.º Tribunal Militar Territorial de Angola.

António Marques Monteiro

António Marques Monteiro
Nasceu em Luanda a 19-07-1920. Empregado no Banco de Angola, aproveitou para ali reproduzir panfletos (“Manifesto Africano”). Preso em 5 de Junho de 1959 foi acusado de pertencer ao Movimento para a Independência de Angola (MIA), num dos três processos do dito “Processo dos 50”. Os maus-tratos sofridos levaram ao seu internamento na Neuropsiquiatria em Julho desse ano.

António Pedro Benge

António Pedro Benge
Nasceu em Cabinda a 09-10-1902. Funcionário dos Serviços de Saúde, aposentado, detido em Abril de 1959 na vaga de prisões da PIDE que deu lugar aos processos judiciais usualmente designados “Processo dos 50”. Era um dos “mais-velhos” líderes do grupo independentista ELA, ativo na clandestinidade desde o início dos anos 50, com ligações a outros nacionalistas em Angola e no exterior.

Armando Ferreira da Conceição Júnior

Armando Ferreira da Conceição Júnior
Nasceu em Luanda a 22-11-1926. Funcionário público, mudou-se em 1954 para o Congo-Léopoldville empregando-se no Consulado português. A 3 de Abril de 1959 foi detido e expulso pelos Belgas para Luanda, onde a PIDE o esperava. Era um dos contactos externos do grupo “Espalha Brasa” e do “Grupo ELA” que tentou enviar-lhe um “Relatório” sobre a situação em Angola, destinado ao Gana.

Armando José Chilala

Nasceu no Bailundo (Huambo) a 25-01-1934, filho de Chilala e de Luciana. Funcionário público, era Chefe de Posto no Cuemba (Bié).

Armindo Augusto Fortes

Armindo Augusto Fortes
Nasceu em Marimba (Malanje) a 28-05-1936. Estudou eletricidade na Escola Industrial de Luanda, foi atleta do Clube Atlético de Luanda e trabalhou alguns anos nos Serviços Geográficos e Cadastrais de Angola. Em 1960 tentou prosseguir estudos em Portugal mas em 1961 fugiu para França, num dos grupos da famosa “Fuga dos Cem”.

Artur Menezes Chingule

Pedreiro de profissão, foi preso pela PIDE em Julho de 1969 por pertencer à rede clandestina que prestava apoio à UNITA. Após algum tempo de prisão em Luanda, um despacho do Secretário-Geral de Angola (26-08-1969) determinou-lhe “fixação de residência” em “Chão Bom, Cabo Verde”, por 10 anos.

Augusto Kiala Bengue

Augusto Kiala Bengue
Enfermeiro e contínuo, estava preso há vários anos, por ligações aos ataques de 4 de Fevereiro de 1961, quando lhe foi fixada residência no Tarrafal por 6 anos, por Despacho do Ministro do Ultramar de 9 de Abril de 1970. Libertado do Campo no 1.º Maio 1974.

Aurélio Garcia

Pedreiro, foi preso pela PIDE em Julho de 1969 por pertencer à rede clandestina que dava apoio à UNITA. Denunciados por um in filtrado da PIDE, a rede foi desmantelada: a maioria dos seus membros enviada para o Campo de S. Nicolau, no sul de Angola, enquanto um grupo “mais perigoso” vai para o Tarrafal.

Belarmino de Sabugosa Vandúnem

Belarmino de Sabugosa Vandúnem
Nasceu em Massangano a 01-11-1911. Enfermeiro, residente na Praia do Bispo (Luanda), em 1958 foi levado por António Pedro Benge para o “ELA” (ativo na clandestinidade desde o início dos anos 50). Membro do clube recreativo (e político) “Espalha Brasa”, relacionava-se também com outros grupos nacionalistas.

Bento Quipaia

Bento Quipaia
Nasceu em Povo Mateus (Uíje) a 15-05-1914, filho de Mozaba e de Mafuani. Agricultor, foi preso em data e local não identificados, por pertencer à União das Populações de Angola (UPA), desde 1962 integrada na Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), movimento independentista que combatia no Norte de Angola.

Bernardo Lopes Teixeira

Bernardo Lopes Teixeira
Nasceu no Golungo Alto (Kwanza-Norte) a 05-06-1949. Funcionário da Junta Provincial de Povoa mento, pertencia à célula “Kimangua” do “Comité Regional de Luanda” (CRL), grupo clandestino do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) que reunia sobretudo estudantes, mas não só.

Bernardo Loureiro ou Bernardo Mavinga

Bernardo Loureiro ou Bernardo Mavinga
Nasceu em Quiteca, Damba (Uíje) a 28-08-1932, filho de Paulo Bunga e de Mariana Bati. Foi preso, em data e local não identificados, por pertencer à União das Populações de Angola (UPA), desde 1962 integrada na Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), movimento independentista que combatia no Norte de Angola.

Caponde

Caponde
Nasceu em Chamangongo (Moxico) a 04-10-1928, filho de Sachindonene e de Nassula. Pedreiro de profissão e catequista de uma igreja protestante, foi preso por ligações à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que em 1966 iniciara ações de guerrilha no leste de Angola.

Carlos Alberto Pereira dos Santos Van-Dúnem

Carlos Alberto Pereira dos Santos Van-Dúnem
Nasceu em Luanda a 28-07-1935. Cresceu no Bairro Operário e à data da prisão era mecânico de automóveis e máquinas industriais nas oficinas da firma Gomes & Irmão. Orientado principalmente por Higino Aires, participou na distribuição de panfletos e outras atividades clandestinas. Foi preso a 17 de Junho de 1959 acusado de pertencer ao Movimento para a Independência de Angola (MIA).

Carlos Aniceto Vieira Dias

Carlos Aniceto Vieira Dias
Nasceu a 01-05-1919 em Luanda (registado em Banana, na colónia belga do Congo). Empregado do Banco de Angola, fundou em 1947 o “N’Gola Ritmos”, importante na recuperação do cancioneiro popular angolano (nomeadamente Kimbundu), criando ou recriando músicas, como a emblemática “Muxima”, músicas que passavam uma mensagem anticolonial, em convívios públicos ou privados.

Cassupa Sousa

Cassupa Sousa
Nasceu em Cassupa (Moxico) c. 1901, filho de Chona e de Nhatuama. Agricultor, tinha quase 70 anos quando foi preso por ligações à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que em 1966 iniciara ações de guerrilha no leste de Angola. Ele e outros eram acusados de passar informações e auxílio (comida, sabão, medicamentos, sapatos…) aos que estavam nas matas.

César da Silva Teixeira

Mecânico no Luso/Luena, foi preso pela PIDE em Julho de 1969 por pertencer à rede clandestina que apoiava a UNITA. Após prisão em Luanda, foi determinada “fixação de residência” em “Chão Bom, Cabo Verde”, por 10 anos. Chegou ao Tarrafal a 14-03-1970 e foi um dos mais castigados, nomeadamente na “holandinha”. Foi libertado no 1.º Maio 1974 mas quis ficar em Cabo Verde.

César Pedro Caliengue

César Pedro Caliengue
Nasceu no Chinguar (Bié) a 15-11-1935. Estudou na Missão Congregacional da Chissamba, no Instituto Currie (Dondi) e no Colégio de S. Bento (Luso/ Luena). Cofundador da União Nacional para a Independência Total de Angola (Moxico 1966) aproveitou ser operador de locomotivas no Caminho-de-Ferro de Benguela para mobilizar e recolher informações.

Chiembele Rivinqui

Chiembele Rivinqui
Nasceu em Muxilinginge (Moxico) a 20-04-1928, filho de Sacurianga e de Nazanguilo. Agricultor, foi preso por ligações à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que em 1966 iniciara ações de guerrilha no leste de Angola. Ele e outros eram acusados de passar informações e auxílio (comida, sabão, medicamentos, sapatos…) aos que estavam nas matas.

Chipoia Magita

Chipoia Magita
Agricultor, membro da aristocracia tradicional Cokwe. Acusado de apoiar a luta da UNITA. Enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal/Chão Bom, deu ali entrada a 8 de agosto de 1969, com 54 anos de idade. Morreu a 13 de maio de 1970. Levado para o Hospital da Praia, em Cabo Verde, foi ali sepultado, em vala comum.

Colúvua Cassupa

Colúvua Cassupa
Nascido em Cassupa-Suco (Moxico), filho de Cassupa Sousa e de Napito. Agricultor, tinha cerca de 34 anos quando foi preso por ligações à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que em 1966 iniciara ações de guerrilha no leste de Angola. Ele e outros eram acusados de passar informações e auxílio (comida, sabão, medicamentos, sapatos…) aos que estavam nas matas.

Daniel Samanda ou Daniel Cassoma

Agricultor, foi preso pela PIDE em Julho de 1969, acusado de integrar a rede clandestina de apoio à UNITA. Após algum tempo de prisão em Luanda, o Secretário-Geral de Angola determinou-lhe “fixação de residência” em “Chão Bom, Cabo Verde”, por 10 anos. Chegou ao Campo do Tarrafal a 14-03-1970 e foi libertado no 1.º Maio 1974.

Daniel Sonhi

Nasceu em Luxia-Sapombo, Buçaco (Moxico) em 1928, filho de Chico e de Nachipema. Agricultor, não estão claros o local e o motivo da prisão, nem a organização a que estaria ligado, mas o peso da sentença reflete a condição de combatente na guerra de libertação contra o domínio colonial português.

Dava Benuhá

Dava Benuhá
Nasceu em Cassupa (Moxico), filho de Magina e de Itela. Agricultor, teria cerca de 45 anos quando foi preso por ligações à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que em 1966 iniciara ações de guerrilha no leste de Angola. Ele e outros eram acusados de passar informações e auxílio (comida, sabão, medicamentos, sapatos…) aos que estavam nas matas.

Diogo José

Nasceu em Cassoneca (Icolo-e-Bengo) a 28-04-1929, filho de José Diogo e de Joana Cristóvão. Sem profissão declarada, o peso da sentença reflete a condição de combatente na guerra de libertação contra o domínio colonial português, mas não foi possível esclarecer a que organização pertencia (MPLA ou UPA/ FNLA, ambas atuando no norte de Angola).

Domingos Manuel Coquita ou Domingos Manuel Cuquita

Nasceu em Quimassabi, Quitexe (Uíje) c. 1942, filho de Cuquita Buaqui e de Sofia Mucano. Agricultor, foi preso em data e local não identificados, por pertencer à União das Populações de Angola (UPA), desde 1962 integrada na Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), movimento independentista que combatia no Norte de Angola.

Eduardo Artur Santana Valentim

Eduardo Artur Santana Valentim
Estudante de Engenharia, ex-controlador do Serviço de Aeronáutica Civil, foi cofundador e coordenador do “Comité Regional de Luanda” (CRL), grupo clandestino do MPLA com várias células, de estudantes e trabalhadores. Chegou ao Tarrafal a 14-05-1970 e a 24-11-1971 foi transferido sob prisão para Angola, com “fixação de residência” na Baía dos Tigres e, em 1972, em S. Nicolau, sujeito a trabalhos…

Eduardo Jonatão Chingunji

Eduardo Jonatão Chingunji
Nasceu em Chiúca (Bié) a 07-01-1911. Professor primário formado nas Missões congregacionais, foi detido e interrogado pela PIDE em 25 de Junho de 1969 e formalmente acusado (Processo-crime n.º 161/ 69), em Julho, de ser o principal responsável de “um poderoso comité político-subversivo terrorista do movimento clandestino UNITA” baseado na cidade do Luso/Luena.

Eduardo Sá Moura da Cruz

Contínuo do Banco de Angola, foi preso pela PIDE em Julho de 1969 acusado de pertencer à rede clandestina de apoio à UNITA. Após algum tempo de prisão em Luanda, o Secretário-Geral de Angola determinou-lhe “fixação de residência” em “Chão Bom, Cabo Verde”, por 10 anos. Chegou ao Campo do Tarrafal a 14-03-1970 e foi libertado no 1.º Maio 1974.

Evaristo Armando

Empregado do Caminho-de-Ferro de Benguela, foi preso pela PIDE em Julho de 1969 por pertencer à rede clandestina de apoio à UNITA. Foi-lhe determinada a “fixação de residência” em “Chão Bom, Cabo Verde”, por 10 anos. Chegou ao Campo do Tarrafal a 14-03-1970 e foi libertado no 1.º Maio 1974.

Evaristo Miúdo ou Cristóvão Evaristo Mucuata

Evaristo Miúdo ou Cristóvão Evaristo Mucuata
Nasceu em Cassupa-Suco (Moxico) a 15-01-1945 [ou 24-09-1946], filho de Mucuata e de Nachitueno. Era afilhado de outro preso, Silva e Sousa. Sem profissão declarada, foi preso por ligações à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que em 1966 iniciara ações de guerrilha no leste de Angola.

Febre Lunguiça ou Fabelo Malonguissa

Agricultor, foi preso, em data e local não identificados, por pertencer à União das Populações de Angola (UPA), desde 1962 integrada na Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). Foi condenado a 23 anos de prisão maior, 23 meses de multa, e medidas de segurança com internamento de 1 a 3 anos. Foi libertado do Tarrafal no 1.º Maio 1974.

Felisberto Gongo Bernardo

Nasceu em Chiambi (Bié) a 19-10-1932, filho de Bernardo e de Dorina.

Fernando Coelho Cugito

Fernando Coelho Cugito
Nasceu em Calulo (Uíje) c. 1938, filho de Cugito e de Júlia Bomba. Agricultor, foi preso em data e local não identificados, por pertencer à União das Populações de Angola (UPA), desde 1962 integrada na Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), movimento independentista que combatia no Norte de Angola.

Fernando Moisés

Fernando Moisés
Nasceu em Sachipunga (Moxico) a 09-02-1919, filho de Macalacata e de Chiquembo. Alfaiate de profissão e catequista de uma igreja protestante, foi preso por ligações à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que em 1966 iniciara ações de guerrilha no leste de Angola.

Fernando Pascoal Costa

Fernando Pascoal Costa
Nasceu em Luanda a 02-06-1890. Factor telegrafista do Caminho-de-Ferro de Luanda, aposentado à data da prisão, 29 de Março de 1959. Era o mais velho e tesoureiro do grupo independentista ELA, ativo na clandestinidade desde o início dos anos 50, nomeadamente enviando documentos ao American Comittee on Africa (ACOA) e à Comissão das Curadorias da ONU.

Florêncio Gamaliel Gaspar

Florêncio Gamaliel Gaspar
Nasceu em Luanda a 15-03-1930, filho de Sebastião Gaspar Domingos, também preso no Tarrafal. Enfermeiro, foi preso pela PIDE a 20 de Outubro de 1959, num dos processos judiciais vulgarmente conhecidos como “Processo dos 50”.

Francisco Caetano

Nasceu em Luanda a 05-12-1946, filho de Caetano Francisco e de Ana Afonso. Pescador e pintor, pertencia ao “Comité Regional de Luanda” (CRL) coordenado por Juca Valentim, grupo clandestino do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) com várias células, sobretudo de estudantes, mas não só.

Francisco Muto

Nasceu em Quibianza (Uíje), c. 1920, filho de Calumbo e de Sango Luca. Agricultor, foi preso em data e local não identificados, por pertencer à União das Populações de Angola (UPA), desde 1962 integrada na Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), movimento independentista que combatia no Norte de Angola.

Gabriel Francisco Leitão Pereira

Gabriel Francisco Leitão Pereira
Nasceu em Luanda a 02-7-1928. Empregado comercial, muito ligado a atividades culturais como a música e o teatro (foi cofundador e coautor de peças do grupo teatral Gesto) que serviam muitas vezes de capa à consciencialização nacionalista.

Garcia Lourenço Vaz Contreiras

Garcia Lourenço Vaz Contreiras
Nasceu em Catete a 8-10-1929. Enfermeiro em Luanda, morador no Bairro Rangel, criou em Dezembro de 1958, com Mendes de Carvalho, Ventura e outros, o clube recreativo e desportivo (e político) “Espalha Brasa”. Detido a 30 de Março de 1959, posto em liberdade e novamente preso a 30 de Outubro, num dos processos judiciais (o “dos enfermeiros”) do dito “Processo dos 50”.

Gilberto António Saraiva de Carvalho

Gilberto António Saraiva de Carvalho
Nasceu em Catete (Luanda) a 08-01-1942. Estudante e ex-alferes miliciano do exército colonial, pertencia ao “Comité Regional de Luanda” (CRL), grupo clandestino do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) subdividido em várias células, sobre tudo de estudantes.

Hélder Guilherme Ferreira Neto

Hélder Guilherme Ferreira Neto
Estudante do Liceu, foi preso na vaga de prisões da PIDE que deu lugar aos processos conhecidos como “Processo dos 50”. Por ter menos de 21 anos, foi sentenciado a 3 meses de prisão efetiva (já cumpridos à data da sentença) mas com medidas de segurança de internamento de 6 meses a 3 anos. Enviado para o Tarrafal, onde chegou a 25-02-1962.

Higino Aires Alves de Sousa

Higino Aires Alves de Sousa
Empregado comercial, reconhecido como fundamental na mobilização de muitos que se juntaram ao movimento nacionalista liderado por Ilídio Machado. Acusado de pertencer ao Movimento para a Independência de Angola (MIA), foi condenado a 3 anos e 9 meses de prisão maior e medidas de segurança de interna mento de 6 meses a 3 anos. Chegou ao Tarrafal a 25-02-1962 e foi libertado a 14-11-1969 com…

Ilídio Tomé Alves Machado

Ilídio Tomé Alves Machado
Nasceu em Luanda (Angola) a 17-12-1914. Funcionário dos Correios, era um dos principais líderes do nacionalismo angolano na década 1950-1960. Cofundador dos efémeros Partido Comunista Angolano e Partido da Luta Unida dos Africanos de Angola (PLUAA), tentou no difícil contexto da clandestinidade uma coordenação dos grupos independentistas.

Jaime Gaspar Cohen

Jaime Gaspar Cohen
Nasceu em Novo Redondo (Kwanza-Sul) a 04-07-1948. Escriturário e estudante do Instituto Comercial de Luanda, pertencia à célula “Kimangua” do “Comité Regional de Luanda” (CRL), grupo clandestino do MPLA que, além da mobilização política, apoiava a 1.ª Região (informações, roupa, medicamentos, sabão, munições…). A PIDE infiltrou essa rede de apoio e nos finais de 1969 fez dezenas de prisões.

Jeremias Pedro

Nasceu em Massumuna (Moxico) a 12-05-1939, filho de Muarilo e de Nabalaço. Agricultor, foi preso por ligações à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que em 1966 iniciara ações de guerrilha no leste de Angola. Ele e outros eram acusados de passar informações e auxílio (comida, sabão, medicamentos, sapatos…) aos que estavam nas matas.

João Fialho da Costa

João Fialho da Costa
Nasceu em Ndalatando a 27-11-1929. Enfermeiro do Caminho-de-Ferro de Luanda, residente no Bairro Rangel, foi preso em 20 de Outubro de 1959 na vaga de prisões da PIDE que deu lugar a três processos judiciais conhecidos como “Processo dos 50”.

João José Cauaua

Alfaiate, foi preso pela PIDE em Julho de 1969 (Processo-crime nº 161/69) por fazer parte da rede clandestina de apoio à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que fazia acções militares no leste de Angola. Após algum tempo de prisão em Luanda, um Despacho do Secretário-Geral de Angola (26-08-1969) determinou-lhe a "fixação de residência" em Chão Bom, Cabo Verde, por 10 anos.

João Lopes Teixeira

João Lopes Teixeira
Eletricista, morador no Bairro Indígena, era auxiliar de mecânico no Aeroporto de Luanda. Pertencia ao grupo recreativo (e político) “Espalha Brasa". Foi condenaod a 4 anos de prisão e medidas de internamento de 6 meses a 3 anos. Chegou ao Tarrafal a 25-02-1962 e saiu, em liberdade condicional com residência fixa em Luanda, a 10-06-1969.

João Lucas Cupombe

Nasceu em Calumbo, Carmona (Uíje) c. 1928, filho de Catula e de Homa. Agricultor, foi preso, em data e local não identificados, por pertencer à União das Populações de Angola (UPA), desde 1962 integrada na Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), movimento independentista que combatia no Norte de Angola.

João Vissoca

Alfaiate, foi preso pela PIDE em Julho de 1969 por pertencer à rede clandestina de apoio à UNITA. Por despacho do Secretário-Geral de Angola determinada “fixação de residência” em “Chão Bom, Cabo Verde”, por 10 anos. Chegou ao Tarrafal a 14-03-1970 e foi libertado no 1.º Maio 1974.

Joel Pessoa

Joel Pessoa
Eletricista, preso pela PIDE em Julho de 1969 por pertencer à rede clandestina de apoio à UNITA. Por despacho do Secretário-Geral de Angola foi-lhe determinada “fixação de residência” em “Chão Bom, Cabo Verde”, por 10 anos. Chegou ao Tarrafal a 14-03-1970 e foi libertado no 1.º Maio 1974.

José Culuza ou Muteteleno

Alfaiate de profissão, foi acusado de integrar a rede de apoio à UNITA e preso em julho de 1969. Após algum tempo de prisão em Luanda, o Secretário-Geral de Angola determinou-lhe “fixação de residência” em “Chão Bom, Cabo Verde”, por 10 anos. Chegou ao Campo do Tarrafal a 14-03-1970 e foi libertado no 1.º Maio 1974.

José Diogo dos Santos

Nasceu na Funda (Luanda) a 04-06-1939. Mecânico, residente no Bairro Indígena, já tinha sido referenciado pela PIDE em processos anteriores (1965), por ligações ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Terá estado detido no Campo prisional de S. Nicolau, no sul de Angola.

José Diogo Ventura

José Diogo Ventura
Enfermeiro, participou no grupo recreativo e político “Espalha Brasa”, depois associado ao “ELA”, grupo mais antigo e com ligações a outros nacionalistas em Angola e no exterior. Chegou ao Tarrafal a 25-02-1962 e saiu (liberdade condicional e residência fixa em Luanda) a 02-02-1969.

José Fernando ou José Saguinda

Agricultor, ausado de dar informações e apoio logístico à luta armada da UNITA, foi-lhe estabelecida “fixação de residência” em “Chão Bom, Cabo Verde”, por 10 anos. Chegou ao Campo do Tarrafal a 14-03-1970 e foi libertado no 1.º Maio 1974.

José Manuel Lisboa

José Manuel Lisboa
Nasceu em Luanda a 23-03-1940 mas vivia com pa rentes no Congo-Léopoldville. Mecânico de automóveis, detido a 28 de Março pela PIDE no aeroporto de Luanda, desencadeando a vaga de prisões da PIDE em 1959 que deu lugar aos processos judiciais conhecidos como “Processo dos 50”.

José Vieira Mateus da Graça

José Vieira Mateus da Graça
Nascido em Portugal a 04-05-1935, viveu em Luanda desde a infância, na fronteira entre “o asfalto” e “o musseque”, experiência que marcaria profundamente a sua escrita e o seu posicionamento anticolonial. Em pregado comercial e escritor, colaborou na “Socie dade Cultural de Angola” (SCA) de que a PIDE prendeu vários dirigentes em 1959. Detido e acusado de “distribuir panfletos”, foi depois solto.

Justino Feltro da Costa Pinto de Andrade

Justino Feltro da Costa Pinto de Andrade
Estudante de Medicina, cofundador e corresponsável (com o seu irmão Vicente e Juca Valentim) do “Comité Regional de Luanda”, grupo clandestino do MPLA, foi preso em 1969, ficando em prisão preventiva na cadeia da PIDE em Luanda até Abril de 1970, quando recebeu a medida administrativa de fixação de residência por 8 anos em Cabo Verde. Foi libertado no 1.º Maio 1974.

Lote Chivava Guilherme

Lote Chivava Guilherme
Nasceu em Chipeta (Bié) a 28-09-1940. Após a escola primária na Missão Congregacional da Chissamba, foi para o Luso/Luena, para estudar e ter uma profissão. Carpinteiro, continuou os estudos e em 1964, já no ensino secundário, empregou-se nos Serviços de Fazenda e Contabilidade.

Lote Soares Sanguia

Lote Soares Sanguia
Nasceu em Vila Nova (Huambo) a 05-03-1938. Motorista da Junta Autónoma de Estradas, foi preso pela PIDE em Julho de 1969 (Processo-crime n.º 161/69), um pouco de pois dos seus camaradas porque trabalhava fora da cidade.

Manuel Baptista de Sousa ou Manuel Costa da Silva Nunes

Manuel Baptista de Sousa ou Manuel Costa da Silva Nunes
Nasceu em Malanje a 09-06-1932. Tipógrafo, foi preso pela PIDE a 20 de Outubro de 1959, num dos processos judiciais vulgarmente conhecidos como “Processo dos 50”, acusado de pertencer ao “ELA” (grupo ativo na clandestinidade desde o início dos anos 50, com ligações a outros nacionalistas em Angola e no exterior).

Manuel Bernardo de Sousa

Manuel Bernardo de Sousa
Enfermeiro em Luanda, tintegrou o clube recreativo (e político) “Espalha Brasa”, sendo preso pela PIDE a 20 de Outubro de 1959 e condenadopelo Tribunal Militar Territorial a 4 anos de prisão e medidas de internamento de 6 meses a 3 anos. Chegou ao Tarrafal a 25-02-1962 e saiu em liberdade condicional a 02-02-1969, regressando a Luanda.

Manuel Chitombe

Pedreiro, acusado de integrar a rede clandestina de apoio à UNITA, foi-lhe determinada a “fixação de residência” em “Chão Bom, Cabo Verde”, por 10 anos, onde chegou a 14-03-1970 e foi libertado no 1.º Maio 1974.

Manuel dos Santos Júnior

Manuel dos Santos Júnior
Electricista, foi preso em Agosto de 1959 na vaga de prisões da PIDE que em Angola deu lugar a três processos judiciais vulgarmente conhecidos como "Processo dos 50". Acusado de pertencer a um Movimento de Libertação Nacional de Angola, foi sentenciado a 4 anos de prisão maior, suspensão de direitos políticos por 15 anos e medidas de segurança de internamento de 6 meses a 3 anos.

Manuel Pedro Pacavira

Manuel Pedro Pacavira
Empregado de escritório, fazia parte do Movimento para a Independência Nacional de Angola (MINA), que em 1960 se integrou no MPLA. Sem nunca ter sido julgado, foi enviado para a Colónia Penal do Bié (1961), para o campo prisional do Missombo (1962) e de regresso à prisão em Luanda (1965). Libertado em 1967, foi preso novamente meses depois foi-lhe fixada residência no Campo de “Chão Bom” (…

Marcelo Micelo ou Misselo, ou Marcelo Kodo

Marcelo Micelo ou Misselo, ou Marcelo Kodo
Nasceu em Zola de Baixo, Belize (Cabinda) c. 1914. Trabalhador rural, tinha cerca de cinquenta anos quando decidiu, em 1964, fugir para o Congo-Kinshasa com a família. Cooptado pela União da Populações de Angola (UPA), participou em incursões e emboscadas à tropa portuguesa em Cabinda, deu informações e serviu de pisteiro e guia.

Mário António Soares de Campos

Mário António Soares de Campos
Nasceu em Luanda a 09-09-1931, onde era relojoeiro e oculista. Foi preso em 09-06-1959, libertado no mesmo dia e preso novamente dias depois, no âmbito da vaga de prisões da PIDE que em Angola deu lugar a três processos judiciais vulgarmente conhecidos como “Processo dos 50”.

Mário Jamba

Condutor do Caminho-de-Ferro de Benguela, foi preso pela PIDE em Julho de 1969, acusado de fazer parte da estrutura clandestina de apoio à UNITA. Foi-lhe determinada a “fixação de residência” em Chão Bom, Cabo Verde, por 10 anos. Chegou ao Campo do Tarrafal a 14-03-1970 e foi libertado no 1.º Maio 1974.

Martins Sachela

Martins Sachela
Nasceu em Muassumuna ou Massumuna (Moxico), filho de Sachela e de Nachela. Agricultor, de cerca de 32 anos, foi preso por ligações à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que em 1966 iniciara ações de guerrilha no leste de Angola. Ele e outros eram acusados de passar informações e auxílio (comida, sabão, medicamentos, sapatos…) aos que estavam nas matas.

Natanel Alfredo Sanecavo

Auxiliar de escritório, foi preso pela PIDE acusada de fazer parte da rede clandestina de apoio à UNITA, sendo-lhe "fixada residência” em “Chão Bom, Cabo Verde”, por 10 anos. Chegou ao Campo do Tarrafal a 14-03-1970 e foi libertado no 1.º Maio 1974.

Nobre Ferreira Pereira Dias

Nobre Ferreira Pereira Dias
Nasceu em Luanda a 02-12-1929. Professor e diretor da escola da Missão Metodista em Luanda. Através do Bispo Dodge enviou documentos ao cônsul americano em Lourenço Marques (Moçambique) que os faria chegar à Comissão das Curadorias da ONU.

Noé da Silva Saúde

Noé da Silva Saúde
Nascido em Missoli, registado em Calomboloca a 10-06-1938. Da Juventude Metodista, Fernando Pascoal da Costa levou-o em 1956 ao ELA (grupo ativo na clandestinidade desde o início dos anos 50), para ser tradutor de Inglês dos documentos clandestinamente enviados a personalidades internacionais e à Comissão das Curadorias da ONU.

Paiva Domingos da Silva

Paiva Domingos da Silva
Nasceu em Cassoneca (Luanda) a 02-03-1930. Car pinteiro de profissão, “herói do 4 de Fevereiro”, terá sido mobilizado por Neves Bendinha para fazer parte dos grupos que na madrugada de 4 de Fevereiro de 1961 atacaram as prisões de Luanda, visando libertar os presos políticos que ali se encontravam, aconteci mento que em Angola marca o início da luta armada de libertação nacional.

Pascoal Gomes de Carvalho Júnior

Pascoal Gomes de Carvalho Júnior
Funcionário dos Serviços de Saúde (amanuense), foi preso em agosto de 1959 na vaga de prisões da PIDE que em Angola deu lugar a três processos judiciais ("Processo dos 50"). Foi acusado de pertencer ao "Grupo ELA", grupo clandestino com ligações a outros nacionalistas em Angola e no exterior. Em Março tentaram enviar para o Gana um "Relatório" sobre a situação da opressão colonial em Angola, cujo…

Pedro Chimbinda Gonçalo

Dactilógrafo da Câmara Municipal do Luso/Luena, foi preso pela PIDE em Julho de 1969, acusado de por pertencer à rede clandestina de apoio à UNITA. Foi-lhe "fixada residência” em “Chão Bom, Cabo Verde”, por 10 anos. Chegou ao Campo do Tarrafal a 14-03-1970 e foi libertado no 1.º Maio 1974.

Sebastião Gaspar Domingos

Sebastião Gaspar Domingos
Nasceu em Cassoneca a 04-03-1899. Empregado comercial e cobrador, foi preso pela PIDE a 29 de Mar ço, solto e de novo preso a 20 de Outubro, num dos processos judiciais vulgarmente conhecidos como “Processo dos 50”. Foi acusado de pertencer ao “ELA”, grupo clandestino ativo desde o início dos anos 50, com ligações a outros nacionalistas em Angola e no exterior.

Silva e Sousa

Silva e Sousa
Nasceu em Cassupa-Suco (Moxico) a 14-09-1934, filho de Cassupa Sousa e de Nachicomo. Carpinteiro de profissão, foi preso por ligações à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que em 1966 iniciara ações de guerrilha no leste de Angola. Ele e outros eram acusados de passar informações e auxílio (comida, sabão, medicamentos, sapatos…) aos que estavam nas matas.

Silva Nunga ou Silva Ianja ou Silva Iandza

Nasceu em Banza Quica, Damba (Uíje) c. 1938, filho de Macuxambo e de Tuto. Como profissão está registado “Soba”. Foi preso, em data e local não identificados, por pertencer à União das Populações de Angola (UPA), desde 1962 integrada na Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), movimento independentista que combatia no Norte de Angola.

Simão Chitungo

Simão Chitungo
Nasceu em aldeia Cassupa (Moxico) a 30-12-1939, filho de Sanjige Chitungo e de Epenha Mandona. Agricultor, foi preso por ligações à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que em 1966 iniciara ações de guerrilha no leste de Angola. Ele e outros eram acusados de passar informações e auxílio (comida, sabão, medicamentos, sapatos…) aos que estavam nas matas.

Sousa Alfredo ou Sousa Gomes

Nasceu em Cambeje, Vista Alegre (Uíje) a 12-04-1927, filho de Alfredo António e de Banda Paca. Agricultor, foi preso, em data e local não identifica dos, por pertencer à União das Populações de Angola (UPA), desde 1962 integrada na Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), movimento independentista que combatia no Norte de Angola.

Teodoro Augusto Katikilo ou Teodoro Augusto Katikila

Catequista, foi preso pela PIDE em Julho de 1969, acusado de pertencer à rede clandestina de apoio à UNITA. Foi-lhe determinada a “fixação de residência” em “Chão Bom, Cabo Verde”, por 10 anos. Chegou ao Campo do Tarrafal a 14-03-1970 e foi libertado no 1.º Maio 1974.

Teodoro Cassinque

Nasceu no Bailundo (Huambo) a 03-09-1943, filho de Avelino Chivangulula e de Nachipunda. Tendo indicada como profissão “contínuo”, vivia na cidade do Lobito à data da prisão. Não foi possível esclarecer a sua filiação política ou pertença a algum dos outros grupos enviados para o Tarrafal.

Tiago Pedro

Pedreiro de profissão, foi preso pela PIDE em Julho de 1969, acusado de pertencer à rede clandestina de apoio à UNITA. Foi-lhe imposta administrativamente a “fixação de residência” em Chão Bom, Cabo Verde, por 10 anos. Chegou ao Campo do Tarrafal a 14-03-1970 e foi libertado no 1.º Maio 1974.

Tito Armando dos Santos

Nasceu em Quindumbuela (Uíje) c. 1935. Alfaiate de profissão, pertencia ao “Comité Regional de Luanda” (CRL), grupo clandestino do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) coordenado por Juca Valentim e subdividido em várias células, sobretudo de estudantes mas incluindo também trabalhadores.

Ventura António ou Maquinixe António

Ventura António ou Maquinixe António
Nasceu em Massumuna ou Muassumuma (Moxico) c. 1943, filho de Chipoia e de Mandania. Agricultor, de cerca de 25 anos, foi preso por ligações à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que em 1966 iniciara ações de guerrilha no leste de Angola. Ele e outros eram acusados de passar informações e auxílio (comida, sabão, medicamentos, sapatos…) aos que estavam nas matas.

Vicente José da Costa Pinto de Andrade

Vicente José da Costa Pinto de Andrade
Era um dos líderes do “Comité Regional de Luanda” (CRL) coordenado por seu irmão Justini e por Juca Valentim, grupo clandestino do MPLA. Preso pela PIDE, ficou em prisão preventiva até Abril de 1970, quando lhe foi aplicada a medida administrativa de "fixação de residência" por 8 anos em Cabo Verde. Chegou ao Tarrafal a 14-05-1970 e foi libertado no 1.º Maio 1974.

Abdulai Canté

Nasceu em Bolama, em 1915 (?). Muçulmano, casado e pai de cinco filhos, sabendo assinar o nome, lavrador, alferes de 2.ª linha e regedor de Bolama. Aderiu ao Partido Africano da Independência (P.A.I., antecessor do PAIGC) em maio de 1962, sendo preso pouco depois pelos Serviços Militares, a 18 de julho.

Adolfo António da Costa

Nasceu em Cacheu, a 1 de Maio de 1940. Manjaco, católico, estudante da Escola Técnica de Enfermagem, com o 2.º grau, foi incorporado pelos Serviços Militares como 1.º Cabo em 1961, e aderiu ao PAIGCV em 1962. Informado pelo Chefe de Serviço de Segurança Militar que iria ser preso, desertou em Março de 1962, mas foi preso pela PIDE a 27 de Junho, na área de Binar.

Agnelo Lourenço Fernandes

Agnelo Lourenço Fernandes
Nasceu em Geba. Conheceu Amílcar Cabral quando este ali esteve como engenheiro. Agricultor, Produtor de cana-de-açúcar, foi militante das primeiras horas do PAIGC. Seria preso em 1962, com quase todos os homens de Geba, como retaliação pela morte de um agente da PIDE no decorrer de um assalto à povoação em busca de militantes clandestinos.

Ahnadjam Ié ou Ahna Jam

Natural de Biombo, de etnia “Papel”. Preso em Empada pelos Serviços Militares a 28 de junho de 1962 por “suspeitas de ter tomado parte na morte de um motorista europeu – Januário Simões Marcelino – e em cuja camioneta seguia com outros nativos, entre os quais os também detidos Marco Gomes e Luís António Silva”. Deu entrada no Tarrafal a 4 de setembro de 1962.

Ansumane Seide

Nasceu em Bissau, em 1925 (?). De etnia mandinga, muçulmano, casado “segundo os usos e costumes”, analfabeto, empregado comercial da firma António Silva Gouveia, em Geba. Aderiu ao PAIGC no início de 1962. Preso pelos Serviços Militares a 27 de junho de 1962, em Geba, deu entrada no Tarrafal a 4 de setembro. Nesse mesmo ano morreram-lhe a mulher e o filho.

António Ilídio Lima Silves Ferreira

Nasceu na Freguesia de S. Nicolau Tolentino, S. Domingos, Cabo Verde, a 06-11-1930, mas foi anda criança para a Guiné. Fez a 4.ª classe em Mansoa e o curso de Prático Agrícola – equivalente ao 2.º ano – na Escola Prática de Agricultura D. Dinis, na Paiã, Odivelas, Portugal. Regressou à Guiné em 1958, para estagiar na Brigada Hidráulica da Guiné, na Fazenda Experimental de Fã.

António Lopes

Aristides Teodorico Barbosa

Nasceu em Bafatá a 19 de Março de 1939. Com a 4.ª classe, católico, solteiro e empregado comercial, era 1.º cabo do Exército quando foi preso, a 18-07-1962, acusado de ligações ao P.A.I. Em 1964 foi avaliado como “indivíduo evoluído e com tendência à indisciplina”, “convicto nas suas ideias de separação da Guiné da Mãe Pátria”, não “suscetível de recuperação”.

Armando Alge Sanhá

Nasceu em Bissau, a 16 de fevereiro de 1935. Muçulmano, de etnia mandinga, motorista da Guarda Fiscal, com o 2.º grau de instrução, filiou-se no P.A.I. em setembro de 1961 e foi preso pela PIDE em 12 de abril de 1962, deu entrada no Tarrafal a 4 de setembro do mesmo ano. Declarou-se arrependido por mais de uma vez.

Armando António Oliveira Sanca

Armando Lassana Jaquité

Nasceu a 11 de agosto de 1932 em Nova Lamego. De etnia “Mandinga Mori”, muçulmano, com a 3.ª classe, casado “segundo os usos e costumes”, pai de três filhos, alfaiate em Gabu, foi preso pelos Serviços Militares de Nova Lamego, em 24 de junho de 1962, acusado de ligação ao P.A.I. Deu entrada no Tarrafal a 4 de setembro do mesmo ano.

Assumane Seldente ou Ansu Mana Seyde

Augusto Amadú Baldé

Augusto Fonseca da Silva

Nasceu em Bissorã, a 3 de fevereiro de 1936. Católico, solteiro, com o 2.º grau da instrução. Aderiu ao PAIGC em dezembro de 1960. Preso a 19 de julho de 1962, quando se encontrava a prestar serviço militar no posto de 1.º Cabo do Exército, adido no Centro de Instrução Militar de Bolama.

Augusto Mango Fernandes

Augusto Pereira da Graça

Augusto Pereira da Graça
Nasceu em Farim, Guiné, a 5 de agosto de 1939. Filho de um cabo-verdiano, conheceu Amílcar Cabral em Bissorã. Católico, com o 2.º grau de instrução, auxiliar-radiotelegrafista dos CTT de Bissau, integrou o PAIGC a 13 de julho de 1959.

Augusto Tavares

Benjamim José Pedro de Barros

Bernardo Mango

Nasceu a 1 de Janeiro de 1932, em Bula. De etnia “Mancanha”, com o 2.º grau de instrução, casado, pai de seis filhos. Professor catequista católico, foi preso em Empada a 29 de Junho de 1962, enviado para Tite e, em Setembro, para o Tarrafal.

Betagueda Nhacé

Biaba Nabué

Biaba Nabué
Natural de Samba-Silate, no Centro da Guiné, Região de Bafatá, Sector de Bambadica, fez parte do grupo de 100 presos guineenses que, depois de uma passagem pela prisão da Ilha das Galinhas, foi transferido, a bordo do navio “África Ocidental”, para o Campo de Concentração do Tarrafal (que passou a ser denominado "Campo de Trabalho de Chão Bom" na Portaria n.º 18 539, de 17-06-1961, assinada pelo m

Bilatá Nampara

Boaventura Correia

Nasceu a 1 de Janeiro de 1920, em Geba. De etnia “Biafada”, católico, “casado segundo os usos e cos tumes”, pai de 8 filhos, analfabeto, carpinteiro. Ade riu ao PAI em Fevereiro de 1962 e foi preso por mili tares de Bafatá, em Geba, a 27 de Junho. Enviado para o Tarrafal no grupo de 100 presos guineenses que ali chegam a 4 de setembro do mesmo ano.

Braima Jassi

Bruno Dantas Pereira

Cândido Joaquim da Costa

Cândido Joaquim da Costa
Nasceu em Bolama a 8 de março de 1937. De etnia “Manjaca”, católico, com o 2.º grau, casado e pai de uma filha, professor catequista na Missão Católica de Bolama. Aderiu ao P.A.I. em 27/1/1961. Preso pela tropa a 7/7/1962, na tabanca de Unale, Fulacunda, levado para Tite e depois para a Ilha das Galinhas, é deportado para o Tarrafal em Setembro.

Cândido José da Costa

Caramó Sanhá

Caramó Sanhá
Nasceu em1935, na povoação de Missina, região de Quinara, sector de Empada. Aderiu ao PAIGC em 1959, em Bissau. Muçulmano, foi professor na Escola Católica. Preso por militares a 30 de julho de 1961, na zona de Empada, e levado para Buba, Tite, foi interrogado com grande violência. Cerca de um mês de pois, foi levado para a Ilha das Galinhas e, em setembro de 1962, enviado para o Tarrafal.

Carlos Alberto Moreira da Rocha

Nasceu em 26 de novembro de 1941, em Bambadinca, concelho de Bafatá. Católico, solteiro, com a 4.ª classe, escriturário de 3.ª classe na circunscrição de S. Domingos. Filiou-se em janeiro de 1962 no Movimento de Libertação da Guiné (MLG), de Vicente Có. Detido pelos Serviços Militares em S. Domingos a 29-07-1962, deu entrada no Tarrafal a 4 de setembro desse ano.

Carlos Sambu

Carlos Sambu
Nasceu em Mansoa a 5 de Março de 1936 (?) De etnia “Mansoanca”, muçulmano, lavrador, com a 2.ª classe, casado e pai de três filhos. Mobilizado por Sancum Cissé, da rede de Rafael Barbosa, aderiu ao PAIGC em fevereiro de 1962. Preso pela PIDE em 18 de Março, na tabanca de Mancalan, foi torturado na Segunda Esquadra, em Bissau.

Constantino Lopes da Costa

Nasceu em Ponta do Inglês, Guiné-Bissau, a 11 de Março de 1938. De etnia “Papel”, católico, solteiro, com o 2.º ciclo liceal, funcionário aduaneiro. Aderiu ao P.A.I. em outubro de 1961, trabalhando na mobilização com Rafael Barbosa. Preso a 15 de março de 1962, passou pela Segunda Esquadra, em Bissau, e pela prisão de Mansoa. Chegou ao Tarrafal num grupo de cem pessoas, a 4 de setembro de 1962.

Cristiano Monteiro

Nasceu em Cacheu, a 20 de outubro de 1927. De etnia “balanta”, católico, sabendo ler e escrever, carpinteiro, casado “segundo os usos e costumes”, pai de cinco filhos. Aderiu ao P.A.I. a 18-04-1962. Preso pelos Serviços Militares em Susana, circunscrição de S. Domingos, a 30 de julho de 1962, dá entrada no Tarrafal a 4 de setembro desse ano. Solicitou por diversas vezes a sua libertação.

Cutubo Cassamá

Cotubo Cassamá
Fez parte do grupo de 100 presos guineenses que, depois de uma passagem pela prisão da Ilha das Galinhas, foi transferido para o Campo de Concentração do Tarrafal (que passou a ser denominado "Campo de Trabalho de Chão Bom"). Amontoado com outros presos, sem recreio, sem tomar banho, morreu de alegada "pneumopatia aguda" escassos dois meses depois da chegada ao campo, a 12 de novembro de 1962,…

Djandjam Sambú

Domingos Fernandes Badinca

Nasceu em Bolama, a 1 de janeiro de 1937. De etnia “Mancanha”, católico, solteiro, com o 2.º grau de instrução, auxiliar de fundidor de “monotype” da Im prensa Nacional. Aderiu ao P.A.I. em março de 1962, e foi preso pelos Serviços Militares de Tite, pouco de pois, a 18 de julho, Entrou no Tarrafal a 4 de setembro do mesmo ano.

Domingos Gomes

Nasceu em Bolama a 11 de novembro de 1932. De etnia “Mancanha”, católico, solteiro, com o 2.º grau de instrução, auxiliar de encadernação na Imprensa Nacional. Filiado no P.A.I. desde 1960, foi preso a 18 de julho de 1962, no seu local de trabalho, transferido para Tite e deportado para o Tarrafal em Setembro desse ano.

Domingos Mango

Nasceu em Bolama, em 1931(?). Alfaiate. Aderiu ao P.A.I. em março de 1962 e foi preso pelos Serviços Militares em Empada, em 29 de junho. Passou por Tite e pela colónia penal da Ilha das Galinhas e chegou ao Tarrafal em 4 de Setembro do mesmo ano. Visto como tendo “bom comportamento” e ”suscetível de vir a recuperar-se”. Regressou à Guiné em 1969.

Domingos Mendes Gonçalves

Eleutério José da Silva

Nasceu em Bolama, a 20 de fevereiro de 1932. De etnia “Papel”, católico, solteiro, com a 4.ª classe, enfermeiro dos Serviços de Saúde. Aderiu ao P.A.I. em 1961. Detido pelos Serviços Militares em Canhamina, a 1 de julho de 1962, deu entrada no Tarrafal a 4 de setembro do mesmo ano.

Estevão Adriano Fernandes

Nasceu em Bissau, a 10 de abril de 1932. De etnia “Papel”, seguia a religião protestante. Pai de 2 filhos, com o 2.º grau de instrução, microscopista na Missão de Combate à Tripanossomíase. Aderiu ao P.A.I. em dezembro de 1961, tendo sido preso pela PIDE em Mansoa, em 18 de março seguinte e enviado para o Tarrafal em setembro de 1962.

Eustáquio da Silva Correia

Nasceu em Bolama a 20 de setembro de 1938. De etnia “Papel”, católico, solteiro, com o 2.º grau de instrução, era 1.º cabo do Exército (condutor-auto) à data da prisão pelos Serviços Militares, em Bolama, a 18 de julho de 1962. Entrou no Tarrafal a 4 de setembro seguinte.

Fernando Correia

Fernando Correia
Nasceu em Bissau, a 14 de novembro de 1936. De etnia “Papel”, católico, solteiro, com o 2.º grau, era empregado comercial. Estudante no Liceu Honório Barreto, em Bissau, foi mobilizado politicamente por Rafael Barbosa e Justado Lopes. Em 1958, após a independência da Guiné-Conacri, fez ali formação político-militar, voltando à Guiné-Bissau para assumir o comando da Frente de Biambi-Binar (Bula).

Finhane Tambá

Fonte Nandjula ou Fonte Najula

Nasceu em Injassane, em 1942 (?). De etnia “Balanta”, ateu, analfabeto, solteiro, lavrador. Filiado no P.A.I.. Detido pelos Serviços Militares em Códie, a 25 de julho de 1962 e levado para Bafatá, seria transferido para o Tarrafal em setembro. Considerado com “bom comportamento prisional”, mas “pouco suscetível de recuperação”, regressa à Guiné em 1969.

Francisco Gomes

Francisco Gomes Dias

Nasceu em Bafatá, a 27 de agosto de 1937. De etnia “Biafada”, católico, com o 2.º grau de instrução, com um filho, empregado público – encarregado do celeiro da Administração em Gabu. Filiado no P.A.I. em dezembro de 1961, manteve correspondência com dirigentes do Movimento.

Francisco Jerónimo Mendes Vieira

Francisco Jerónimo Mendes Vieira
Nasceu em Geba, a 13 de setembro de 1932. De etnia “Biafada”, católico, casado “segundo o uso da terra”, pai de três filhos, com o 2.º grau de instrução, empregado comercial – auxiliar da Operação da firma António Silva Gouveia em Geba. Aderiu ao P.A.I. em 2 de junho de 1962.

Iai Iai Camará ou Iaia Camará

Nasceu em Caur de Cima, área do posto administrativo de Empada, em 1932 (?). De etnia “Biafada”, muçulmano, lavrador, analfabeto, casado segundo os usos e costumes, pai de dois filhos. Aderiu ao P.A.I.G.C. em março de 1962. Foi preso pelos Serviços Militares a 4 de junho, dando entrada no Tarrafal três meses depois.

Iái Naiunga

Iáiá Djaló

Ilfone Nhanghada ou Infone Nanghada

Imbali Naialá

Imbunhe Nahedé

Imbunhe Nassua

Impoque Nadum

Inácio João Martins

Nasceu em Inchalé, em 1922 (?). De etnia “Biafada”, católico, casado “segundo os usos e costumes”, pai de três filhos, lavrador, analfabeto. Adere ao P.A.I. em maio de 1962 e é preso pelos Serviços Militares a 28 de julho. Levado para Bafatá, integra o grupo de 100 presos guineenses que dão entrada no Tarrafal a 4 de setembro.

Inácio Soares de Carvalho

Nasceu a 29-04-1916 na Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde. Criança, foi com os pais para a Guiné, onde viveu a maior parte da sua vida. Em 1939, começou a trabalhar no BNU (Banco Nacional Ultramarino) em Bissau. Em 1956, influenciado pelo seu compadre e colega Abílio Duarte, envolveu-se na luta política, primeiro no MLG – Movimento para a Libertação da Guiné – e depois no PAIGC.

Indafá Nandjula ou Danfan Najula

Nasceu em Porto-Gole, circunscrição de Mansoa, em 1937. Solteiro, lavrador. Analfabeto. Preso pelos Ser viços Militares em 25 de julho de 1962, por pouco antes ter aderido ao P.A.I. Levado para Bafatá, é depois enviado para o Tarrafal, onde dá entrada a 4 de setembro.

Intchami Nantam ou Tcham Nantam

Jacinto Francisco Cabral da Cunha

Nasceu em Bolama, a 7 de junho de 1940. De etnia “Papel”, católico, solteiro, com o 2.º grau, professor catequista das Missões Católicas. Acusado de ser do P.A.I., foi preso pelos Serviços Militares em Cacheu, a 27 de julho de 1962, e enviado para o Tarrafal em setembro.

João Lobo de Pina

John Eckert

Nasceu em Bissau, a 4 de março de 1932. De etnia “Papel”, católico, solteiro, com o 2.º ciclo dos liceus, funcionário da Câmara Municipal. Aderiu ao PAIGC em 29 de janeiro de 1962.

Jorge da Silva

Jorge da Silva
Nasceu em Bolama, a 14 de Agosto de 1934. De etnia “mancanha”, católico, solteiro, com a instrução primária, guarda-fios dos CTT em S. Domingos. Preso a 28 de Julho de 1962, por ter o nome numa lista do P.A.I. apreendida pela PIDE. Preso no Batalhão de Bula até 31 de Agosto, levado para a Ilha das Galinhas, embarcou no dia seguinte para o Tarrafal.

José de Oliveira Sanca

José dos Santos Ribeiro

Nasceu em Geba, a 19 de julho de 1923. De etnia “Biafada”, católico, com sete filhos, com o 1.º grau de instrução, condutor-auto na firma António Silva Gouveia. Filiou-se no P.A.I. no início de junho de 62 e, a pedido da PIDE, foi preso pelos Serviços Militares em Bafatá a 27 de junho. Ao longo do tempo de prisão no Tarrafal sofreu três sanções disciplinares.

José Lopes

Nasceu em Bissau a 5 de novembro de 1926. De etnia “Papel”, católico, pai de três filhos, com a 3.ª classe, solteiro e taberneiro. Aderiu ao PAIGC em 2 de junho de 1962 e foi preso pelos Serviços Militares a 30 de junho seguinte. Chegou ao Tarrafal a 4 de setembro, no grupo dos cem presos enviados da Guiné Tem “bom comportamento prisional” e é considerado “reabilitado”. Regressou à Guiné em 1969.

José Lopes Correia

Nasceu em Nhacra, a 21 de fevereiro de 1937. De etnia “Balanta”, católico, solteiro, com o 2.º grau de instrução, professor catequista da Missão Católica de S. José de Bolama, na escola de Banta-El-Sela, área do posto administrativo de Bula, circunscrição de Fulacunda. Aderiu ao PAIGCV em dezembro de 1960.

José Pereira da Silva

Luís António da Silva

Nasceu em Bolama, a 14 de janeiro de 1938. De etnia “Papel”, católico, solteiro, 1.º grau de instrução, agricultor.

Macário Freire Monteiro

Macário Freire Monteiro
Nasceu em Cacheu, a 12 de dezembro de 1944. Oficial de diligência na Administração de Fulacunda, aderiu muito jovem ao PAIGC. Preso em Fulacunda, a 30 de junho de 1962, passou por Tite, pela PIDE de Bissau e pela Ilha das Galinhas.

Malam Darame

Malan Sambú

Nasceu em Indjassane, em 1936. De etnia “Biafada”, muçulmano, “casado segundo os usos e costumes”, pai de duas filhas, analfabeto, lavrador. Aderiu ao P.A.I. Preso pela PIDE em 3 de fevereiro de 1962, passou 5 meses na cadeia daquela polícia em Bissau, outro mês na prisão de Mansoa, e em setembro foi enviado para o Tarrafal.

Mamadu Cali ou Mamadu Cassamá

Mamadu Camará

Mamadú Djaló

Nasceu em Bafatá, em 1923 (?). De etnia “Fula”, maometano, analfabeto, casado “segundo o uso e costume”, pai de uma filha, cozinheiro. Membro do PAIGC, foi preso por um destacamento militar em

Mandu Biai

Manuel Amadu Djaló

Nasceu em 1927 em Farim. Primeiro-cabo da Polícia de Segurança Pública, detido no seu posto a 14 de março de 1962, foi submetido a interrogatório e tortura na própria Esquadra. Encarcerado depois na cadeia da PIDE em Bissau, sofreu várias sessões de tortura. A 3 de agosto mudou para o quartel de Mansoa, com espancamentos diários. A 1 de setembro, com 13 companheiros, foi levado para João Landim.

Manuel Neves Trindade

Manuel Neves Trindade
Nasceu a 18 de abril de 1937, em Susana (São Domingos). Alfaiate, foi preso em julho de 1962, com um colega, quando se encontravam numa festa de batismo e levados para o quartel, onde o interrogaram sobre os seus contactos com os “terroristas”, que negou.

Manuel Vaz Horta Santy

Marco Gomes ou Marcos Gomes

Nasceu em Biombo, em 1922. De etnia ”Papel”, católico, solteiro, analfabeto, guarda-fios de 3.ª classe

Mário Mamadú Turé ou Momo Turé

Nasceu em Bissau, a 11 de maio de 1939. De etnia “Sõsso”, muçulmano, com o 1.º grau de instrução, solteiro, empregado comercial. Aderiu ao P.A.I. em setembro de 1961. Foi preso pela PIDE em 15-03-62, dando entrada no Tarrafal a 4 de setembro desse ano.

Mário Soares

Mário Soares
Nasceu em Bula em 1943. Professor da missão católica, aderiu ao PAIGC em março de 1961. A 28 de junho de 1962 foi preso por militares do Batalhão de Caçadores 237. Depois de um mês preso em Tite, seguiu para a Ilha das Galinhas, por mais um mês. Em setembro integrou um grupo de cem presos transferidos para Cabo Verde, no navio África Ocidental. Entrou no Tarrafal a 4 de setembro de 1962.

Mussá Camará

Nasceu em Farim. Etnia “Mandinga”, muçulmano, analfabeto, casado “segundo os usos e costumes”, pai de dois filhos, lavrador. Filiou-se no P.A.I. em 21 de fevereiro de 1961 Preso em Mores em abril de 1962, a pedido da PIDE, pelos Serviços Militares de Mansoa. Acusado de implicação em atos subversivos, foi levado para Maussabá, depois para Mansoa, Bula, Bissau.

Nicolau Simão Cabral de Brito

Nasceu em Calacunda, a 7 de março de 1936. De etnia “Papel”, ateu, com a 3.ª classe, pedreiro, solteiro, pai de dois filhos. Detido pelos Serviços Militares, a pedido da PIDE, em 28 de junho de 1962, em Tite. Entrou no Tarrafal em 4 de setembro desse ano.

Pan Namam ou Pan Na Man

Nasceu em Sambassilate, em 1927 (?). De etnia “Balanta”, ateu, analfabeto, casado “segundo os usos e costumes”, lavrador. Filiado no P.A.I. em junho de 1962, foi preso pelos Serviços Militares em Can-Códie em 25 de agosto seguinte e entra no Tarrafal a 4 de setembro. Apesar do seu “bom comportamento prisional”, é considerado “elemento perigoso e absolutamente irrecuperável” em 1964 e 65.

Pana na Iode ou Pana Naiul

Nasceu em Mansoa, em 1920. De etnia “Balanta”, ateu, analfabeto, casado “segundo os usos e costumes”, lavrador. Suspeito de adesão ao P.A.I, foi preso pela tropa do posto de Bambadinca, em julho de 1962, e levado para Bafatá. Um mês depois foi enviado para o Tarrafal. Em 1968 é dito ter “bom comportamento prisional” e “julga-se reabilitado”. Voltou à Guiné em 1969.

Paulo Brito Guimarães

Nasceu em Bubaque, a 5 de outubro de 1929. Católico, sabe ler e escrever, solteiro e ajudante de motorista. Preso a 29 de julho de 1962 pela tropa destacada em Susana, por ligação ao P.A.I., em que se teria filiado dois dias antes. Levado primeiro para o quartel de Bula, segue para o Tarrafal em setembro. Em 1964 e 65 é descrito como “completamente irrecuperável”.

Paulo Lopes

Nasceu em Bula, a 28 de abril de 1922. De etnia “Mancanha”, católico, com a 1.ª classe, casado “segundo os usos e costumes”, agricultor. Filiado no P.A.I. em 15 de maio de 1962, foi preso pelos Serviços Militares em Bula, em 26 de julho. Levado para o Comando Militar de Bula, depois para a Ilha das Galinhas, ingressou no Tarrafal em 4 1962.

Preto Mancanha

Nasceu em Có, em 1935 (?). De etnia “Mancanha”, ateu, analfabeto, solteiro, lavrador. Filiou-se no P.A.I. em 20 de março de 1962, é preso pouco depois, a 25 de julho, pelos Serviços Militares, em Bula. Levado primeiro para João Landim, é enviado em setembro para o Tarrafal.

Quecoi Faty ou Quecoi Fati

Nasceu em Piche, em 1920 (?). De etnia “Mandinga”, é muçulmano, casado “segundo uso e costume muçulmano”, tem a 1.ª classe, e é motorista particular. Aderiu ao P.A.I. em janeiro de 1962. Preso pela PIDE em Bafatá, a 17 de junho seguinte. Ingressou no Tarrafal a 4 de setembro de 1962.

Rui Anastácio Florindo Medina

Sabino Cabral

Sana Turé

Nasceu em Sonaco, em 1920. De etnia “Mandinga”, muçulmano, analfabeto, casado na igreja muçulmana, empregado comercial. Aderiu ao P.A.I. em janeiro de 1962, e foi preso em Sonaco pelos Serviços Militares a 10 de julho seguinte, ficando alguns dias em Nova Lamego, e sendo depois transferido para Bafatá e enviado para o Tarrafal, onde deu entrada a 4 de setembro desse ano.

Sancum Sissé

Silva Delgado Barai

Suna Naisna ou Tuna Naisna

Nasceu em Mansoa, em 1924 (?). De etnia “Balanta”, ateu, analfabeto, casado “segundo os usos e costumes”, lavrador. Aderiu ao P.A.I. em junho de 1962 e foi preso a 5 de julho seguinte em Catió pelos Serviços Militares. Transferido primeiro para Tite e depois para a Ilha das Galinhas, deu entrada no Tarrafal a 4 de setembro desse ano.

Umaru Djau

Unsé Naiógna

Ussumane Seidi ou Ansu Seidi

Nasceu em Xitole, em 1920. De etnia “Fula”, muçulmano, casado “segundo os usos e costumes”, sabe assinar o nome e é alfaiate. Tendo aderido ao P.A.I. em janeiro de 1962, foi preso em Xitole pelos Serviços Militares a 26 de julho e ao fim de pouco mais de um mês enviado para o Tarrafal, onde deu entrada a 4 de setembro.

Vasco Luís Lopes da Costa

Alberto Sanches Semedo

Alberto Sanches Semedo
Nasceu em 1939 no lugar de Monte Bode, Calheta de São Miguel, na ilha de Santiago, Cabo Verde, fez a tropa em 1960, mas quando, no ano seguinte, há um apelo a que cabo-verdianos se voluntariem para integrar o exército português em Angola, recusa. Aliciado para o PAIGC por José Reis Borges, integrou o grupo que tentou desviar para Dacar um pequeno barco de cabotagem, o “Pérola do Oceano”.

Ananias Gomes Cabral

Ananias Gomes Cabral
Nasceu em Santa Catarina, a 26 de fevereiro de 1941. Agricultor, já envolvido na luta clandestina, foi mobilizado por José Reis Borges para se juntar ao PAIGC, integrando o grupo que tentou desviar um pequeno barco de cabotagem, o “Pérola do Oceano”: “primeiro iríamos para Dakar, onde havia uma representação do PAIGC, e de lá iríamos para Conakry”.

António Pedro da Rosa

António Pedro da Rosa
Nasceu em Santa Catarina, na ilha de Santiago, Cabo Verde, a 25 de outubro de 1948. Em agosto de 1970, através de um primo, José Reis Borges, que se apresentou como coronel do PAIGC, vindo da Guiné para recrutar pessoas para a luta pela independência, integrou o grupo que tentou desviar o “Pérola do Oceano”.

Arlindo dos Reis Borges

Arlindo dos Reis Borges
Nasceu em Santa Catarina, na ilha de Santiago, Cabo Verde, a 17 de junho de 1938. Em 1968, envolve-se num grupo de mobilização do PAIGC. Nesse mesmo ano, é contactado por um parente, José (dos Reis Borges), que dizia ser coronel do PAIGC e vinha mobilizar um grupo de homens para ir a Conacry tomar instruções. Integra o assalto ao “Pérola do Oceano”.

Carlos António Dantas Tavares

Carlos António Dantas Tavares
Nasceu a 11 de junho de 1946 na ilha Brava, Cabo Verde. Criança, viveu em Angola e fez a instrução primária em Lisboa. Em 1958 volta para S. Vicente, Cabo Verde. Aos 17 anos muda para Santo Antão, como professor primário em Ribeira da Torre.

Carlos de Lineu Soares Miranda

Carlos de Lineu Soares Miranda
Nasceu a 30 de março de 1921 no concelho de Ribeira Grande, ilha de Santo Antão, Cabo Verde. Foi professor primário em Portugal e na Guiné-Bissau, onde desempenhou funções de inspetor escolar. Contactado em 1966 por Amílcar Cabral, em Paris, viajou para a Guiné Conakry, recebendo formação política e instruções para regressar a Cabo Verde e participar na luta política clandestina.

Eugénio Borges Furtado

Eugénio Borges Furtado
Militante do PAIGC na zona de Santa Catarina, Santiago, Cabo Verde, integrou, em agosto de 1970, o grupo que tentou o desvio para Dacar do navio “Pérola do Oceano”, que fazia a ligação entre as ilhas cabo-verdianas.

Fernando dos Reis Tavares

Fernando dos Reis Tavares
Nasceu na Assomada, ilha de Santiago, Cabo Verde, a 13 de Abril de 1940. O convívio com emigrantes e portugueses deportados na ilha leva-o a imaginar a possibilidade de uma sociedade diferente. No final dos anos 50, encontra no liceu da Praia colegas influenciados pelas ideias nacionalistas. E em 1961, no serviço militar em Portugal, liga-se a outros milicianos, próximos do PCP ou do MPLA.

Gil Querido Varela

Gil Querido Varela
Nasceu em Achada Além, Santa Catarina, ilha de Santiago, Cabo Verde, a 14 de Maio de 1935. O seu interesse pela política começa na adolescência, durante a grande fome de 1947, que nunca esqueceu. Em 1965, concorre a um lugar de professor e, embora fique bem classificado, não consegue o emprego, por ter uma informação negativa da polícia política.

Ivo Pereira

Ivo Pereira
Ativo na mobilização e recrutamento de elementos para a luta do PAIGC na área de Santa Catarina, Santiago, desde finais da década de 60. Fez parte do grupo que, aliciado por José dos Reis Borges, na noite de 18 para 19 de agosto de 1970, tentou o desvio para Dacar do “Pérola do Oceano”, um pequeno barco de cabotagem entre as ilhas de Cabo Verde.

Jaime Ben Hare Solfer Schofield

Jaime Ben Hare Solfer Schofield
Nasceu em S. Vicente a 27 de maio de 1939. Interrompeu os estudos liceais por morte do pai, empregando-se como professor primário. Em 1966, organiza com Carlos Dantas Tavares e Lineu Miranda uma célula do PAIGC em Santo Antão. A PIDE prende-os em 8 de outubro de 1967 e, pouco depois, outro elemento, Luís Fonseca.

João Augusto Divo de Macedo

João Augusto Divo de Macedo
Nasceu na cidade da Praia, ilha de Santiago, em 1952. Tem 17 anos quando José Reis Borges, seu tio por afinidade, que se diz militante do PAIGC, o desafia para uma deslocação a Conacri, para prepararem a luta de libertação no arquipélago. Desviam um barquinho de ligação entre ilhas, “Pérola do Oceano”. Embarcam na Praia, na noite de 19 para 20 de agosto de 1970.

Joaquim Mendes Correia

Joaquim Mendes Correia
Nasceu a 31 de março de 1945, em S. Miguel, na ilha de Santiago, Cabo Verde. Em agosto de 1970, participou na tentativa de desvio do “Pérola do Oceano”. O projeto consistia em que, já perto da Ilha do Fogo, rumassem para Dakar. Mas o capitão declarou não ter combustível e foi ancorar em Rincão para o chefe dos assaltantes, Reis Borges, ir buscar à Assomada dois bidões de gasóleo.

José Maria Ferreira Querido

José Maria Ferreira Querido
Nasceu em Santa Catarina, Santiago, Cabo Verde, em 8 de dezembro de 1940. Marcado pela fome de 1947 e pela ligação a um deportado português amigo do pai, cedo entendeu que a luta pela independência era o único caminho.

Juvêncio da Veiga

Juvêncio da Veiga
Nasceu em Santa Catarina, ilha de Santiago, Cabo Verde, em junho de 1927. Aderiu à luta inspirado por um texto de Amílcar Cabral. Tendo participado em agosto de 1970 na tentativa de desvio do “Pérola do Oceano”, esteve três meses preso na Praia, e foi depois enviado para o Tarrafal.

Luís de Matos Monteiro da Fonseca

Luís de Matos Monteiro da Fonseca
Nasceu na Ponta do Sol, Santo Antão (Cabo Verde), a 17 de maio de 1947. Durante parte da infância e juventude viveu em S. Vicente. Aderiu ao PAIGC na década de 60. Preso alguns dias pela PIDE em 1966, e de janeiro a março de 1967, é preso em Dezembro, na sequência das prisões de Lineu Miranda, Carlos Dantas Tavares e Jaime Schofield.

Luís Furtado Mendonça

Luís Furtado Mendonça
Nasceu a 13 de março de 1944, em Santa Catarina, Santiago, Cabo Verde. Mobilizado por Pedro Martins e Ivo Pereira para o PAIGC em 1968/69, integrou o grupo que tentou desviar o “Pérola do Oceano”: “Veio um senhor, José dos Reis Borges (…), disse-nos que era da direção do PAIGC e passou a trabalhar connosco também.

Martinho Gomes Tavares

Martinho Gomes Tavares
Ligado a elementos que, na clandestinidade, e na zona de Santa Catarina, Santiago, procuravam mobilizar pessoas para a luta de libertação de Cabo Verde conduzida pelo PAIGC, fez parte do grupo que em agosto de 1970 tentou o desvio do navio “Pérola do Oceano” para Dacar, a fim de se juntar à luta armada de libertação conduzida pelo PAIGC.

Pedro Rolando dos Reis Martins

Pedro Rolando dos Reis Martins
Nasceu em Santa Catarina, Santiago, Cabo Verde, em 1951. Aderiu ao PAIGC em finais da década de 60.

Sérgio dos Reis Furtado

Sérgio dos Reis Furtado
Aderiu a um grupo clandestino do PAIGC, orientado por Pedro Martins, na zona de Santa Catarina, trabalhando na mobilização e aliciamento de quadros para a luta. Considerado por Pedro Martins “um dos mais esclarecidos desse grupo do Pérola do Oceano”, participou no desvio daquele navio, sob comando de José Reis Borges, de 18 a 19 de agosto de 1970.

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