Portugal

Nasceu em 22-07-1909, em Alenquer. 2.º sinaleiro da Armada, participou, em 08-09-1936, na “Revolta dos Marinheiros” organizada pela ORA. Entregue pelas autoridades da Marinha à PVDE nesse mesmo dia, pelo crime de «insubordinação», deu entrada no 3.º Posto da 14.ª esquadra, «Mitra». Transferido, em 18-09-1936, para a Cadeia Penitenciária de Lisboa e condenado, em 13-10-1936, a 4 anos de prisão maior, seguidos de 8 de degredo ou, em alternativa, a 16 anos de degredo, seguiu, em 17-10-1936, para o Tarrafal.
«O Zambujal». Nasceu em 04-05-1904, em Sacavém. Trabalhador, foi preso pela PVDE em 04-03-1939, «para averiguações», e enviado para o Aljube. Passou, de seguida, por várias transferências de cárcere: 1.ª esquadra (30-03-1939), Aljube (01-04-1939), Caxias (12-04-1939) e, de novo, Aljube (4-12-1939). Condenado, em 09-12-1939, à pena de 10 anos de degredo, reentrou em Caxias (10-12-1939) e embarcou, em 23-02-1940, para o Tarrafal, onde foi punido com dias de internamento na “frigideira”. Embora tenha interposto recurso, o TME, em sessão de 20-12-1939, confirmou a sentença.
«O Monteiro». Nasceu em 06-06-1907, em Lisboa. Tomou parte na Revolta Militar de 26 de agosto de 1931, quando era empregado na Câmara Municipal de Lisboa, sendo deportado para Timor em 02-09-1931; abrangido pela amnistia de 05-12-1932, regressou em 09-06-1933. Em 1937, encontrava-se fugido à PVDE, por desenvolver militância comunista, tendo o TME emitido um mandado de captura. Refugiado em Espanha, participou, entre 1937 e 1939, na Guerra Civil ao lado das forças republicanas, combatendo na frente de Ocaña.
Nasceu em 01-02-1915, em Lisboa. Aprendiz de serralheiro, foi detido pela PSP de Lisboa em 30-05-1932, por suspeita de instigar outros operários à greve. Tinha, então, dezasseis anos e saiu em liberdade em 01-06-1932. Entregue pelas autoridades militares à PVDE em 30-11-1936, ficou preso no Presídio Militar da Trafaria e saiu em liberdade em 19-12-1936. Quando serralheiro de máquinas, seria preso em 31-03-1947, «para averiguações», e levado para Caxias.
Nasceu em 14-12-1910, em Lisboa. Militante do PCP desde o início da década de 1930, foi detido, quando estudante, em 09-03-1934, por integrar um grupo de manifestantes que percorria «a Rua da Escola Politécnica dando gritos subversivos», empunhava «cartazes com palavras ofensivas para a atual Situação Política do País» e distribuía «manifestos clandestinos». Transferido, em 19-05-1934, para Peniche, seria libertado em 23-08-1934. Já referenciado como relojoeiro, foi preso em 07-11-1935, levado para uma esquadra, transferido, em 27-12-1935, para Peniche e, em 24-03-1936, entrou no Aljube.
Nasceu em 23-03-1912, em Lisboa. Servente, foi entregue pela PSP de Lisboa à PIDE em 09-04-1947, «para averiguações». Enviado para Caxias, seguiu, em 11-04-1947, para o Tarrafal, sem ter sido condenado, tenso provavelmente estado associado à greve dos trabalhadores das construções e reparações navais dos estaleiros de Lisboa dinamizada pelo PCP. Tal como os outros presos na mesma circunstância, ficou numa seção diferente daqueles que já se encontravam no Campo, vigiado por guardas da PIDE.
Nasceu em 06-04-1908, em Varsóvia, Polónia. Tecelão de malhas (técnico), este judeu polaco foi preso pela Delegação do Porto da PVDE em 07-12-1939, «para averiguações». Por constar do seu processo que tinha «sido expulso da Bélgica por suspeita de comunista e de ter entrado em Portugal com documentação falsificada», sendo, portanto, «um elemento indesejável», «foi proposto para que lhe fosse aplicável o Decreto n.º 15946 de 23-5-1928», tendo o ministro, por despacho de 23-01-1940, aprovado essa decisão.
Nasceu em 11-08-1899, em Lisboa. Sargento da Marinha de Guerra, foi preso em Vilar Formoso em 22-07-1940, por «estar pedida a sua captura em virtude de se ter evadido dos Serviços Auxiliares da Marinha», onde se encontrava detido à ordem da PVDE. Transferido, em 25-07-1940, para a sede da PVDE e entregue na Cadeia do Aljube, passou para a enfermaria entre 31-07-1940 e 15-08-1940.
Nasceu em 13-01-1915, em Trigaches, Beja. Militante comunista entre 1933 e 1975, foi preso em 1934, 1935, 1954 e 1958, percorrendo os principais cárceres do regime: diversas esquadras da PSP, Cadeia do Aljube, Fortaleza de Peniche, Depósito de Presos de Caxias e celas privativas da Subdiretoria do Porto da PVDE. Evadiu-se duas vezes: do Porto (03-10-1954) e de Peniche (03-01-1960). Condenado, em 30-11-1935, a 22 meses de detenção, embarcou, em 17-10-1936, para o Tarrafal, quando terminara na véspera a pena imposta pelo TME e tinha 21 anos.
Estivador de porto e sindicalista, ligado ao movimento libertário e anarcossindicalista, foi preso em 30-01-1934, por estar implicado na greve revolucionária de 18 de janeiro de 1934, promover a paralisação da fábrica Parry & Son. Tinha 31 anos e foi o segundo deportado a morrer no Campo. Segundo Acácio Tomás de Aquino, «era um dos rapazes mais fortes do Acampamento» e, quando faleceu, «estava reduzido a pele e osso».