A projeção de Mercator, desenvolvida no século XVI e usada até hoje, faz com que a África pareça muito menor do que realmente é, ao mesmo tempo que exagera visualmente as regiões próximas aos polos.
Isso faz com que a Gronelândia e a África pareçam ter tamanhos semelhantes nos mapas, quando na realidade o continente africano é cerca de 14 vezes maior.
A resolução defende o abandono do uso da projeção cartográfica de Mercator e a sua substituição por uma que mostre com mais precisão o tamanho de continentes, incentivando os Estados-membros, organizações internacionais e outras entidades relevantes a adotarem a projeção Equal Earth, que mostre países e continentes em tamanhos proporcionais.
Mapas “minimizaram simbolicamente a dimensão de África”
Antes da votação, o Togo indicou que a persistência destas distorções nos mapas provocou, ao longo do tempo, consequências significativas.
"Contribuiu para minimizar simbolicamente a dimensão de África, assim como de outras regiões, o que criou uma visão desequilibrada da geografia global. Portanto, (...) vai muito para além da esfera da cartografia", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Togo, Robert Dussey. "Tem a ver com a justiça cognitiva, com o acesso a um conhecimento geográfico preciso, a dignidade dos povos, a memória histórica e a luta contra as representações que herdamos e que influenciam a nossa perceção", acrescentou, em Nova Iorque.
Caso a modificação seja efetivamente aplicada, França, Estados Unidos e Rússia ficariam consideravelmente menores nos mapas, enquanto África, América Latina e Sul da Ásia ganhariam espaço.
"Esta iniciativa marca um passo histórico para uma representação cartográfica global precisa e equitativa", celebrou a União Africana após a votação, numa publicação feita na rede social Instagram. "A resolução de hoje promove mapas de áreas iguais, como o Equal Earth, nas salas de aula, nos meios de comunicação social e nas instituições internacionais, garantindo que o mapa-mundo reflete finalmente a verdadeira escala, importância e lugar de África no mundo", acrescentou.
Como as resoluções da Assembleia-Geral da ONU não têm força jurídica obrigatória (ao contrário das decisões do Conselho de Segurança), a aplicação depende da vontade política dos Estados-membros e das próprias organizações internacionais.