
Reunimos aqui acessos a alguns Cantos de Luta e Resistência que marcaram o século XX e que, muitos deles, continuam presentes nos nossos dias e nas nossas lutas. Muitos outros, de diferentes línguas e países e exprimindo diferentes opções ideológicas, poderão vir seguramente a figurar nesta breve resenha - pedimos aos nossos leitores que nos enviem sugestões, tendo em atenção os direitos eventualmente aplicáveis. |
Campo de Concentração do Lazareto, Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde, 1931 (desenho de Rosário Felix)

A Marselhesa
Canto de combate criado durante a Revolução Francesa e cuja melodia foi também, durante alguns anos, a música de "A Internacional".
Data: 1792
Autor: Claude Rouget de Lisle
Intérprete: Placido Domingo

A Internacional
O principal hino operário da história contemporânea, contra o capitalismo e a exploração, contra o militarismo e de solidariedade internacionalista. Criado durante a Comuna de 1871, foi adotado, a partir de 1918, como hino da Rússia Soviética e, entre 1922 e 1944, hino da recém-criada URSS. Em 1906, o sindicalista revolucionário Neno Vasco (1878-1920) traduziu o hino para português.
Data: 1871
Autores: Eugène Pottier (letra) e Pierre De Geyter (música)
Intérprete: Red Ant ??

Le Chant des Martyrs
O Canto dos Mártires evoca os mortos da repressão da revolução russa de 1905. Dmitri Chostakovitch recorreu a este tema na sua 11.ª sinfonia, dedicada ao "Ano de 1905".
Data: 1905
Autores: W. G. Archangelski (letra) e N. N. Ikonnikov (música)
Intérprete: Groupe 17

Les Partisans (em russo: "Por montes e vales")
Canção tradicional russa adaptada pelos bolcheviques durante a Guerra Civil russa (1917-1922) - será, mais tarde, a matriz do "Chant des Partisans" francês.
Data: 1917-1922
Intérprete: Catherine Ribeiro (filha de pais portugueses emigrados em França)

Die Moorsoldaten
Wir sind die Moorsoldaten («Somos os soldados do pântano»), escrita por Johann Esser e Wolfgang Langhoff e composta por Rudolf Goguel em 1933, prisioneiros comunistas do campo de concentração alemão de Börgermoor.
Data: 1933
Autores: Johann Esser e Wolfgang Langhoff (letra) e Rudolf Goguel (música)
Intérprete: Hannes Warden

Ay Carmela
Foi originalmente uma canção composta contra a invasão francesa de 1808, retomada na resistência contra os "moros" e os mercenários fascistas das tropas franquistas durante a Guerra Civil Espanhola.
Data: 1808/1936
Autores: Popular
Intérprete: Rolando Alarcon
Viva la Quince Brigada (Long Live the 15th Brigade)
Canção da Brigada Internacional "Abraham Lincoln", essencialmente composta por voluntário de norte-americanos que se bateram na Guerra Civil de Espanha contra o fascismo.
Data: 1936/1982
Autores: Christy Moore/Pete Seeger
Intérprete: Pete Seeger
Le Chant des Partisans
O mais conhecido hino da Resistência Francesa contra a ocupação alemã e o governo colaboracionista de Vichy, com música de uma canção da resistência russa.
Data: 1941
Autores: Anne Marly e outros (sobre canção russa)
Intérprete: Yves Montand
La complainte du Partisan
Escrita em Londres en 1943 por Emmanuel d'Astier de La Vigerie, com música de Anna Marly, foi utilizada nas emissões da BBC para a França ocupada.
Data: 1943/1963
Autores: Emmanuel d'Astier de La Vigerie (texto) e Anne Marly (música)
Intérprete: Anne Marly
Fischia il Vento
Foi durante a Resistência italiana o hino das Brigadas Garibaldi.
Data: 1943
Autores: Felice Cascione (letra) (sobre música russa "Katiusha")
Intérprete: Cesare Bermani
Bella Ciao
Canção de luta camponesa retomada durante a Resistência italiana.
Data: séc. XIX/1944
Autores: Popular
Intérprete: Coro Partigiano di Trieste
Muxima
Liceu Vieira Dias, fundador do «N'Gola Ritmos», criou e recuperou músicas do cancioneiro popular como «Muxima», sendo preso em 1959 e deportado durante cerca de 10 anos para o Tarrafal.
Data: Anos 50
Autores: Liceu Vieira Dias (letra e música)
Intérprete: Ruy Mingas
L'Affiche rouge
Referência aos cartazes de propaganda nazi e do governo colaboracionista de Vichy, em fundo vermelho, afixados nas ruas das cidades francesas com fotografias de resistentes fuzilados.
Data: 1955/1959
Autores: Louis Aragon (letra)
Intérprete: Léo Ferré
Il Canto Sospeso
Cantata inspirada na publicação de 1954 "Cartas dos condenados à morte da Resistência europeia", executados pelos nazis.
Data: 1955/1956
Autores: Luigi Nono
Intérprete: Dutch Radio Symphony Orchestra, dirigida por Hans Vonk
Os Vampiros
Canção de resistência contra o fascismo. Visando especialmente a corrupção sistémica do regime.
Data: 1963
Autores: José Afonso (letra e música)
Intérprete: José Afonso
Trova do Vento que Passa
Canto de resistência contra o regime fascista em Portugal e a guerra colonial.
Data: 1963
Autores: Manuel Alegre (letra) e António Portugal (música)
Intérprete: Adriano Correia de Oliveira
A Bola
Em 1964, Luís Cília publicou em França o disco "Portugal-Angola: Chants de Lutte", que continha, entre outras, a canção "A bola". Com poesia de Jonas Negalha e música, canto e guitarra de Luís Cília, tornou-se uma das mais violentas denúncias da guerra colonial, evocando fotografias que circulavam mostrando cabeças de negros espetadas em paus por soldados portugueses: Rola sangrenta uma bola no chão de Angola.
Data: 1964
Autores: Jonas Negalha (letra) e Luís Cília (música)
Intérprete: Luís Cília
Queixa das almas jovens censuradas
Poema que evoca a revolta dos jovens contra a repressão, a censura e a opressão cultural vigente em Portugal.
Data: 1971
Autores: Natália Correia (letra) e José Mário Branco (música)
Intérprete: José Mário Branco
Seis One Tarrafal/Seis anos no Tarrafal
A canção narra a história de um preso (comum) caboverdiano, condenado a 6 anos de prisão no Tarrafal, a quem faleceu a mãe e que não foi autorizado a acompanhar o seu enterro.
Data: 1974
Autores: Autoria controversa
Intérprete: Jaqueline Fortes
Cabral Ca Mori
O assassinato de Amílcar Cabral, em 20 de janeiro de 1973, suscitou numerosas canções de protesto e de luta, de que é exemplo "Cabral Cá Mori" (Cabral não morreu), só editda em disco após a independência da Guiné e de Cabo Verde.
Data: 1976
Autores: Daniel Rendall (letra) e Os Tubarões (música)
Intérprete: Os Tubarões
Requiem [Pelas vítimas do fascismo em Portugal]
Homenagem do compositor às vítimas do fascismo em Portugal. Lopes-Graça, preso em 1936, conheceria sucessivas perseguições pelo regime.
Data: 1979
Autores: Fernando Lopes-Graça
Intérprete: Orquestra Sinfónica de S. Petersburgo, Coro da Catedral Smolny, dirigidos por Mário Mateus